ADM e Bunge dizem que não compram produtos de novas áreas desmatadas na Amazônia

Publicado em 02/09/2019 por Notícias Agrícolas

As comercializadoras de grãos Archer Daniels Midland e Bunge disseram nesta sexta-feira, em comunicados separados, que não compram produtos de novas áreas desmatadas na Amazônia e que utilizam satélites de monitoramento para garantir suas políticas.

A Bunge afirmou que está avaliando as informações disponíveis sobre número e localização dos incêndios existentes na Amazônia.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa empresas como ADM e Bunge, apontou nesta semana que o plantio de soja nas dez cidades que mais reportaram incêndios neste ano é inexpressivo em relação à produção total da oleaginosa.

‘Profundamente preocupada com a Amazônia’, Nestlé diz revisar compra de carne e cacau da região (no Estadão)

A gigante de alimentos Nestlé declarou nesta sexta-feira, 30, que está “profundamente preocupada com os incêndios na floresta amazônica”, maior floresta tropical do mundo e “vital para garantir a estabilidade climática”, como destaca a empresa suíça. A compra de subprodutos de carne e cacau da região, diz a Nestlé, está sendo agora “revisada” para garantir alinhamento com o padrão de fornecimento responsável. "Vamos tomar ações corretivas quando necessário", acrescentou.

O avanço das queimadas na região amazônica causou uma repercussão global nas últimas semanas e levou o presidente Bolsonaro a enviar as Forças Armadas para combater as chamas. Desde então, a reação mundial envolve também a preocupação de grandes empresas quanto ao fornecimento de produtos oriundos da floresta. A VF Corporation, dona da Timberland e Vans, suspendeu a compra de couro.

Nesta sexta, a Nestlé disse se opor ao desmatamento e à destruição de outros habitats naturais em todo o mundo. A empresa conta que desde 2010 assumiu um compromisso de não desmatamento, o qual prevê a não associação dos produtos com essa prática. “Desenvolvemos o Padrão de Fornecimento Responsável da Nestlé, que nossos fornecedores precisam respeitar e aderir em todos os momentos. Se forem identificadas lacunas, nos envolvemos com os fornecedores para entregar planos de mitigação e rastrear a eficácia das ações tomadas”, disse em nota.

A empresa informou que obtém do Brasil óleo de palma, soja, carne e cacau de Estados localizados na Amazônia. “Nos comprometemos com a Moratória da Soja da Amazônia, um acordo voluntário liderado pela indústria para garantir que, desde 2006, os comerciantes não comprem soja cultivada na Amazônia em terras desmatadas. Nós também monitoramos nossos fornecedores de carne por meio de monitoramento por satélite”, detalhou.

Também nesta semana, o Nordea, maior banco dos países nórdicos, afirmou que estava suspendendo as compras de bônus do governo do Brasil, devido a preocupações sobre a resposta aos incêndios na região da Amazônia. Sediado em Helsinque, na Finlândia, o Nordea informou que a "quarentena temporária" significa que não comprará bônus brasileiros denominados em dólar ou real até nova avaliação posterior sobre o tema.

O Nordea afirma em comunicado que sua avaliação sobre a ambiental, social e da governança para o Brasil identificou riscos por causa do desmatamento e de planos do governo do presidente Jair Bolsonaro para relaxar proteções ambientais.

O banco afirma que o modo como o governo lida com a questão poderia afetar a estabilidade política no Brasil, ameaçando o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, e potencialmente levar companhias internacionais a boicotar produtos agrícolas do País.

Outros investidores institucionais da Europa também têm demonstrado preocupações sobre os incêndios na Amazônia.