As eleições de 2018 e o produtor rural

Publicado em 15/05/2018 por Jornal do Brasil

No árido panorama que enfrentamos, com alternativas desanimadoras para os Executivos e Legislativos nos âmbitos estaduais e federal pergunta-se: que podem fazer os produtores rurais? 

No Estado do Rio de Janeiro, que organização existe para levar aos candidatos perguntas e propostas sobre seus respectivos planos ou promessas, consideradas as diversas culturas, a pecuária de diversos portes e características, o abastecimento  a questão da água nas propriedades, as questões associativas, a segurança, o turismo rural e dezenas de outros temas?

Quem tem, no plano federal e estadual, uma visão integrada dos problemas e oportunidades para os proprietários rurais, trabalhadores e suas famílias? Ou teremos mais uma eleição na qual votaremos novamente às cegas? 

Atualmente o eleitor pode sempre  “dar um google“ e tentar descobrir se o candidato x ou y falaram, escreveram (mais difícil) prometeram ou cumpriram qualquer promessa qualquer setor ou subsetor da agricultura ou pecuária. Assim,  “dê um google”, é o mínimo que cada produtor pode fazer nesse momento e é muito pouco. Se você produz leite, ou mel, ou cana, tem direito de saber que conhecimento ou pensamento tem qualquer candidato sobre assunto de seu direto interesse. 

Não tem outro jeito de melhorar nossa área. Se votarmos baseados na grande mídia ou na internet sem questionarmos o que pensa ou pretende qualquer candidato em qualquer nível, faremos parte da manada que vai votar em celebridades, religiosos, durões, conterrâneos, etc. e isso  nada vai significar para os estabelecimentos rurais e suas diversas atividades. 

A inviabilidade  dos pequenos e médios produtores vai se agravar se elegermos novamente quem nunca viu uma vaca ao vivo, quem não conhece a questão fundiária, quem nunca plantou banana ou eucalipto. Se elegermos representantes para o Executivo ou Legislativo, em qualquer nível, que não saiba quantos estabelecimentos rurais existem no seu estado, que não saibam quantos empregos são gerados em cada cultura, que não se importa com os bancos que encaminham os produtores para falar com máquinas, o cenário vai piorar.

Melhor será em ninguém votar. E vejam como as entidades de nosso setor estão envelhecidas. Alguém sabe se já se fizeram debates com pré candidatos sobre, por exemplo, recuperação de pastagens no Estado? Ou se alguma entidade discutiu com pretensos candidatos as oportunidades para fruticultura em regiões definidas? Alguém viu no estado uma grande reunião sobre o absurdo Funrural retroativo? Nada? Vamos votar novamente sem distinguir patos de galinhas. Imagino que os criadores de Manga Larga, muito organizados, se lerem esse artigo certamente mandarão correspondência informando problemas da atividade  e pedindo respostas e compromissos de candidatos. Imagino também que outros setores ficarão mudos e, se precisarmos no futuro falar com eleitos, vamos tentar falar com surdos. 

“Dar um google” é muito pouco. Será que alguém está disposto a ir além?

Publicado originalmente por Jornal do Brasil