BC:Incertezas demandam flexibilidade na condução da política monetária

Publicado em 07/08/2018 por Valor Online

BRASÍLIA  -  O Comitê de Política Monetária (Copom) entende que o maior nível de incerteza da atual conjuntura gera necessidade de maior flexibilidade para condução da política monetária. Foi por essa razão que, em sua última reunião nos dias 31 de julho e 1º de agosto, quando os juros foram mantidos em 6,5% ao ano, o colegiado optou por se abster de fornecer indicações sobre os próximos passos da política monetária.

As informações constam da ata da reunião, divulgada nesta terça-feira pelo Banco Central (BC). O documento detalha que, na reunião, os participantes do Copom reiteraram a importância de reafirmar a atuação da política monetária exclusivamente com foco na evolução das projeções e expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da atividade econômica.

“Choques de preços relativos devem ser combatidos apenas no impacto secundário que poderão ter na inflação prospectiva.”

Os integrantes do colegiado concordaram ainda que os efeitos da paralisação dos caminhoneiros sobre a conjuntura têm se mostrado temporários, mas destacaram a importância de acompanhar a evolução do cenário básico e dos riscos ao longo do tempo. O grupo discutiu ainda possíveis efeitos mais perenes dos choques enfrentados pela economia brasileira.

“Nesse contexto, reforçaram a importância de acompanhar ao longo do tempo a evolução do cenário básico e seus riscos e de avaliar a perenidade dos efeitos dos choques sobre a inflação (i.e., seus efeitos secundários) de forma a garantir que a conquista da inflação baixa perdure, mesmo diante de choques adversos”, diz o documento.

O colegiado voltou a repetir que os próximos passos na condução da política monetária "continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”.

Sobre os riscos, o Copom observou que “diminuiu o risco baixista decorrente do nível baixo de inflação no passado recente”. Além disso, aponta que “a manutenção de elevado grau de ociosidade na economia também constitui risco baixista para a inflação”.

O grupo voltou a enfatizar que a aprovação e implementação das reformas, notadamente as fiscais, e de ajustes na economia do país são fundamentais para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável, funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia (que é aquela que promove máximo crescimento com inflação nas metas).

Diante disso, o Copom menciona o risco que “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária”. E volta a dizer que “esse risco se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes”.