Biossegurança no agronegócio

Publicado em 17/12/2019 por O Informativo

Ito José Lanius
Sem ser oportunista, mas de olho em oportunidades, escrevo sobre os problemas recentes da China na produção de alimentos.
Inflados de satisfação, comemoramos a abertura de novos mercados, especialmente os espaços criados pela peste suína na China. Mais uma vez, reconhecer que não abordarei aqui com a devida competência os detalhes técnicos que podem levar a um infortúnio destes.
O Brasil já foi acometido por eventos danosos como a peste suína, febre aftosa e outras doenças de graves impactos na avicultura e em outras áreas do agronegócio.
O que eu pretendo é alertar aos "gansos" sobre o perigo da euforia atual abrir espaço para descuidos, desleixos sanitários e à exposição para riscos desnecessários. Falo de biossegurança necessária à sustentabilidade sanitária dentro do nosso ambiente de criações. Sobre como tratamos os resíduos das criações _ como o transporte e conhecimento dos principais vetores que disseminam doenças.
É um universo complexo, cuja abordagem científica seria abordada com riqueza por um médico veterinário, um zootecnista, um biólogo e tantos outros profissionais com formação na área. Eu chamo a atenção para o negócio, pois alguém precisa cuidar do estratégico, do macro ambiente das relações. E tenho dúvidas sobre quem cuida disso até agora.
Fala-se que há muita concentração de criações de suínos no Vale do Taquari e também outras regiões do estado e do país. E complementaria acrescentando que também produzimos muitas aves e leite, enquanto o gado de corte é extensivo, menos exposto. Embora pareça, não recomendo reduzir a produção, tampouco deixar de expandir. Mas cuidar melhor.
Investir em formato ambientalmente correto de instalar novos negócios. Assegurar os cuidados gerais para manejar tudo de maneira mais eficiente, a fim de obter o máximo de eficácia no controle sanitário, ou da biossegurança.
Várias vezes tenho chamado a atenção para a quantidade de matéria orgânica que jogamos nas águas. Um exemplo é a alta carga sofrida pelo nosso Rio Taquari, classificação 4 no Conama, em uma escala que vai de 1 a 4.
Precisamos eliminar a dúvida sobre se podemos fazer algo melhor, ou contribuir de maneira mais objetiva para minimizar o risco de repetir desastres como esse da China.
Sem criar um ambiente de apreensão, é importante a desconformidade com o mal feito. Achar que "é assim mesmo". A melhoria contínua está consagrada nos melhores negócios. É tempo de introduzir métodos e processo que melhorem a biossegurança de nossa região, de nosso estado e do nosso país. E melhorar... o tempo todo.