Bolsas da Ásia fecham em alta com trégua comercial; Xangai sobe 2,6%

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  (Atualizada às 8h24) Os mercados acionários da Ásia fecharam em alta nesta segunda-feira, depois de Estados Unidos e China acertarem uma trégua de 90 dias na disputa comercial que inspira cautela entre os investidores e traz implicações para a economia global.

O acordo entre Washington e Pequim, firmado em reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, à margem do G-20, na Argentina, contribui para estimular o apetite global por risco, com forte avanço de commodities e queda do dólar.

Em Xangai, o Xangai Composto encerrou com elevação de 2,57%, para 2.654,79 pontos, enquanto, em Shenzhen, o índice de referência avançou 3,27%, a 1.381,54 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 2,55%, a 27.182,04 pontos, e, em Seul, o Kospi teve valorização de 1,67%, para 2.131,93 pontos.

Os mercados de Hong Kong, Vietnã e Taiwan também registraram ganhos expressivos nesta jornada, de cerca de 2,5%, e Cingapura e Filipinas avançaram um pouco acima de 2%. Os piores desempenhos foram os de mercados com menor exposição à disputa comercial entre EUA e China, como Índia e Nova Zelândia.

Em Tóquio, o Nikkei 225 registrou alta de 1%, aos 22.574,76 pontos, em terreno positivo pela sétima sessão consecutiva. Os destaque ficaram para as ações do setor de transportes, em alta de 2,5%, e de montadoras, com as da Toyota avançando 3,4%. 

O dólar se acomodou a níveis mais baixos durante a sessão asiática, negociado em torno de 113,50 ienes, comparado a 113,80 ienes no início da sessão em Tóquio.

No fim de semana, durante encontro na Argentina, Trump se comprometeu a não elevar, de 10% para 25%, tarifas sobre US$ 200 bilhões em importações da China a partir de 1º de janeiro. Em troca, a China teria se comprometido a reduzir ou eliminar tarifas de 40% incidentes em carros produzidos nos EUA e exportados ao país asiático, disse Trump por meio de sua conta no Twitter.

Em um briefing nesta segunda-feira, autoridades chinesas nem confirmaram nem desmentiram a mensagem do presidente americano. 

"O apetite por risco voltou nesta segunda-feira com a trégua comercial positiva entre EUA e China acertada no encontro do G-20", afirmou o DBS Group Research em comentário sobre os mercados. "Não deve existir, contudo, a ilusão de que essa trégua vai colocar um fim na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo", acrescentou. "Isto porque é preciso ver se um progresso real possa ser alcançado durante esta janela estreita [de trégua] para resolver temas contenciosos, não apenas sobre comércio, mas também sobre direitos de propriedade intelectual", emendou a entidade.