Buracos tiram ônibus de faixas exclusivas no BRT

Publicado em 14/05/2018 por O Globo

RIO - Na última semana, parte do motor do ônibus em que Rosiane Santos viajava despencou. O veículo teve de ser rebocado, uma cena que se tornou rotina em vários trechos do BRT Transoeste, que já deixou de ser visto como uma alternativa de transporte rápido. Devido à péssima manutenção das pistas, os coletivos quebram com frequência. Entre as estações Pingo D'Água e Recreio Shopping, tem sido comum até que os ônibus circulem fora da faixa exclusiva, disputando espaço com os carros, devido às crateras no asfalto.

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No caso de Rosiane, moradora de Paciência, depois que o coletivo ficou pelo caminho, ela não hesitou: apesar de cansada na volta do trabalho, seguiu para casa a pé, por dois quilômetros.

- Sempre tem acontecido algo - lamenta Rosiane, que tem levado 40 minutos a mais para chegar ao trabalho porque os buracos também deixam o trânsito mais lento no trajeto.

MÉDIA DE VELOCIDADE CAIU CERCA DE 50KM/H

Segundo um comunicado emitido em novembro pelo Consórcio BRT, a precariedade do Transoeste reduziu a velocidade média dos ônibus de 70km/h para 20km/h. E o problema está longe de ser resolvido. Segundo a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente, a recuperação da pavimentação depende da liberação R$ 35 milhões e de um minucioso estudo de suporte do solo. Como não há data certa para o repasse da verba, o órgão realiza, paliativamente, uma operação tapa-buraco. Só este ano, foram 30 mil buracos fechados no trecho.

Enquanto isso, na última terça-feira, um ônibus perdeu uma das rodas em Guaratiba. E as queixas se multiplicam.

- Os ônibus estão virando carroças. Andamos preocupados - desabafou um motorista do BRT, sem se identificar. - Dirigimos devagarinho. Se aceleramos um pouco, a suspensão estoura ou o eixo se desloca. O único jeito é sair da pista.

Já a passageira Rosa Maria Soares diz que teve até enjoos com os sacolejos constantes:

- Os ônibus balançam tanto que fico com dor de barriga.

O aposentado Vanir Milato faz coro com Rosa Maria:

- É tudo sucateado. Aqui é menos visado porque não mora gente com dinheiro.

A prefeitura, por sua vez, insiste que só tem verbas para eventuais operações de remendo no asfalto.

"Não existe um valor específico para tapar buraco, pois esse é um trabalho ininterrupto", informou, em nota.

De acordo com uma pesquisa do Datafolha realizada em 2016, 68% dos passageiros do BRT são moradores da Zona Oeste, e 67% dependem do veículo cinco ou mais vezes por semana