Calcule quanto você polui: ferramenta ajuda a mensurar quanto cada um emite de CO2

Publicado em 07/01/2019 por A Crítica

É possível calcular a quantidade de dióxido de carbono emitido por qualquer um, seja pessoa física, empresa, produto, evento, entre outros, e fazer a compensação (ou neutralização) disso

Silane Souza
Manaus (AM)
No momento em que a maioria dos governos não consegue assumir novas metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e nem cumprir as medidas do Acordo de Paris, que tentam limitar o aquecimento global a 2ºC, especialista recomenda que a sociedade assuma o protagonismo a fim de evitar que o mundo entre em colapso por conta do aumento da temperatura. Uma maneira de contribuir com tal finalidade é compensar (ou neutralizar) as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal poluente entre os GEE.
O engenheiro florestal Mariano Cemano, pesquisador sênior do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), explica que é possível calcular a quantidade de CO2 emitida por qualquer um, seja pessoa física, empresa, produto, evento, entre outros, e fazer a compensação (ou neutralização). “Existem várias formas de mitigar estas emissões. Uma delas é plantando árvores – elas ajudam a absorver dióxido de carbono da atmosfera e ainda liberam oxigênio”, evidenciou.
De acordo com Cemano, muitas organizações oferecem esse tipo de serviço, inclusive o próprio Idesam com o Programa Carbono Neutro (PCN). O instituto disponibiliza em seu site uma ferramenta que calcula a quantidade de CO2 emitida por cada pessoa, a partir do consumo de combustível, energia elétrica, viagens aéreas e uso de gás de cozinha, e gera o número de árvores necessárias para a compensação. “O pagamento pode ser feito na hora com cartão de crédito e a pessoa consegue fazer o acompanhamento do plantio”, afirmou. 
A compensação é realizada com plantio de espécies madeireiras e frutíferas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, localizada a 330 quilômetros de Manaus, nos municípios de São Sebastião Uatumã e Itapiranga. Mariano Cemano ressalta que o programa, aberto a empresas, eventos e indivíduos interessados em compensar suas emissões de GEE, além de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas, também gera uma série de benefícios socioambientais para as comunidades que vivem na RDS do Uatumã. 
O engenheiro florestal e pesquisador destaca que algumas empresas já compensam 100% de suas emissões de carbono, outras neutralizam parte delas, dentre as quais estão Natura, Banco Santander, Posto Ipiranga e Latam. Alguns atores, bandas e organizadores de eventos também fazem o mesmo.
“Mas ainda assim é pouco. É hora de cada um fazer a sua parte, pois os governos não estão conseguindo limitar o aquecimento global dentro do que recomenda os cientistas e estudos apontam que o objetivo dos países deve ser cinco vezes maior do que foi assumido no Acordo de Paris para evitar o aumento da temperatura em 1,5ºC e três vezes em 2ºC”, frisou.
Programa incentiva o ribeirinho a conservar
A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) é outra instituição que conta com um programa de compensação de emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Amazonas, que está baseado no Projeto de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma, localizada no município de Novo Aripuanã (a 227 quilômetros de Manaus). 
Conforme o superintendente-geral da FAS, Virgílio Viana, o programa foi elaborado em 2008 junto com o Governo do Estado e com os recursos advindos da neutralização do carbono emitido pelas empresas apoiadoras, como a Rede Marriott International de hotéis, são implementadas medidas necessárias ao controle e monitoramento do desmatamento dentro dos limites da RDS do Juma e seu entorno, além de reforçar o cumprimento das leis e melhorar as condições de vida das comunidades locais.
“Isso é feito por meio de projetos como o Bolsa Floresta e o Programa de Educação e Saúde da FAS, que levam acesso a geração de renda sustentável e educação para moradores dessas áreas”, disse Virgílio Viana.
Ele  afirma que todos os moradores que assumirem o compromisso de não desmatar a floresta, além de outras regras, como manter os filhos na escola, por exemplo, podem participar. Atualmente, 2.020 pessoas são beneficiadas pela iniciativa que, até 2016, tinha ajudado na contenção do desmatamento de 7.799 hectares de floresta tropical na reserva, correspondendo à emissão evitada de 3.611.723 toneladas de CO2 equivalente para a atmosfera.
Para o superintendente-geral da FAS, no Brasil, o desafio é reduzir a emissão por desmatamento na Amazônia, além de outros setores, como transporte, agricultura e energia. “O desafio é criar matrizes de desenvolvimento sustentável, por meio de mudanças no padrão de consumo da sociedade”, finalizou.
Corridas sustentáveis da 99
Além do plantio de árvores, a compensação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) também pode ser feita por meio da utilização de crédito de carbono. Foi esta a opção que a 99 – empresa de mobilidade urbana que integra a gigante chinesa DiDi Chuxing – escolheu para neutralizar as emissões de gás carbônico de todas as corridas realizadas em Manaus, no mês de dezembro de 2018. 
A previsão é que a iniciativa seja ampliada este ano e a startup procura programas de compensação de carbono no Amazonas, segundo relatou o diretor de Operações da 99 em Manaus, Ademar de Proença Filho. “A 99 impacta positivamente a vida das pessoas com oportunidades de geração de renda e novos meios de locomoção. Agora também queremos colaborar ainda mais na construção de cidades sustentáveis, por isso lançamos o programa de neutralização de emissões de carbono em defesa da preservação da natureza”, declarou. 
A 99 adquiriu os créditos de carbono da Biofílica Investimentos Ambientais S.A, empresa especializada na conservação de florestas e na comercialização de serviços ambientais que aposentou, em nome da 99 em parceria com a ZScore, 2.500 toneladas de CO2 equivalentes em Redução Verificadas de Emissões pelo Verified Carbon Standard para neutralização referente as emissões de carbono das corridas do app realizadas na cidade de Manaus. 
As emissões foram reduzidas a partir de atividade do Projeto REDD+ Manoa, que é desenvolvido em parceria pela Biofílica e o Grupo Triângulo na Fazenda Manoa, em Cujubim, Rondônia. Além de contribuir na conservação de 74 mil hectares de Floresta Amazônica nativa e de sua biodiversidade, promovendo o desenvolvimento socioeconômico local, a iniciativa evita a emissão de 279,2 mil toneladas de CO2 equivalente por ano. “Essa é uma das iniciativas que se conecta com o nosso foco de desenvolvermos nós mesmos e os outros”, relatou Proença.
COP 24 : sem novidadades 
Em dezembro do ano passado aconteceu, na Polônia, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24) e organizações como Greenpeace e WWF avaliaram que o evento terminou sem nenhuma proposta ambiciosa e robusta de ação às mudanças climáticas. O fato de que os países ainda precisam mostrar o nível de ambição necessária para enfrentar a emergência climática preocupa, segundo alertaram as entidades ambientais.