Caminhos da Índia

Publicado em 27/03/2019 por Dinheiro Rural

Projeto da Embrapa importa sêmen de búfalos da Ásia para melhorar a qualidade genética e a produtividade do rebanho paraense, o maior do Brasil
Quinze mil quilômetros separam o Brasil da Índia, o equivalente a 30 vezes a distância entre Rio de Janeiro e São Paulo ou quatro viagens do Oiapoque ao Chuí. Seria pouquíssimo provável, portanto, que um animal que vive no país asiático procriasse com outro em terras brasileiras. Mais improvável ainda, se nenhum deles saísse de sua nação de origem. Mas
é exatamente o que pesquisadores da Embrapa estão fazendo com búfalos da Índia e do Pará. Na primeira semana deste ano, os zootecnistas Guilherme Minssen, José Otávio Lemos e Ribamar Marques embarcaram para Nova Delhi, com a missão de comprar sêmen de búfalos. A viagem, que durou 10 dias e incluiu visitas a quinze fazendas e onze institutos de pesquisa em três cidades idianas, faz parte do Programa de Melhoramento Genético de Búfalos com Inovação (Promebull), executado pela Embrapa Amazônia Oriental, para o Pará.
Com cerca de 600 mil cabeças de búfalos, o Estado possui a maior população do animal no Brasil, tem grande tradição em produção familiar e transforma todo o leite produzido em queijo, dos tipos requeijão do Marajó e manteiga. Por tudo isso, o Pará foi escolhido para servir de laboratório ao projeto, que abrangerá regiões do Marajó e do Baixo Amazonas, além de áreas do nordeste e sudeste paraenses. “Nosso objetivo é, com base na introdução do sêmen dos búfalos indianos, que é de altíssima qualidade, promover o melhoramento genético dos nossos animais”, diz Ribamar Marques, gestor do Promebull. Realizado em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e com o Governo do Pará, o Promebull tem quatro grandes focos: boas práticas de manejo animal, manejo alimentar e nutricional, manejo sanitário e melhoramento genético. Mas o maior objetivo do programa é a garantia de material genético superior no rebanho de búfalos. É aí que entra a viagem dos pesquisadores à Índia.