Carnes de Laboratório: mudanças radicais na cadeia do agronegócio

Publicado em 28/05/2019 por StartSe

A criação de gado ocupa 75 por cento das terras cultiváveis do planeta.
Em 2019 serão produzidas 63,62 milhões de toneladas de carne bovina, e as duas maiores produtoras de proteína animal estão no Brasil: JBS e Marfrig.
Além disso, a maior parte dos grãos produzidos no planeta não são destinados à alimentação humana. São direcionados para a produção de ração para o gado.
Agora imagine o seguinte cenário: e se pudéssemos produzir carne em laboratório, sem o abate de nenhum animal? Qual seria o impacto disso em toda a cadeia do agronegócio?
Algumas empresas do Vale do Silício acreditam que têm as respostas. E já colocaram sua carne no mercado, sem a necessidade de ter 1 animal sequer.
A Impossible Foods produz carne a partir de plantas. É isso mesmo: tem gosto de carne, cheiro de carne e até "sangra" como carne. Os cientistas da empresa descobriram uma molécula rica em ferro responsável pelo gosto característico da carne quando vai ao fogo.
Ela também existe em vegetais como trigo e soja. Tudo isso, somado a engenharia genética e processos de fermentação, dá o gosto de carne ao produto.
Em São Francisco e em outras cidades do Vale do Silício, você come a “carne de planta” em praticamente todos os restaurantes e lanchonetes.
Ok, você pode estar pensando: “mas carne de planta não é carne de verdade”. E tem razão. É uma alternativa viável, mas não é carne.
Mas veja isso. Outra empresa do Vale do Silício, a Memphis Meats, foi além. A partir de células tronco de animais, esta empresa faz crescer carne de verdade. Carne mesmo, como a do boi, do frango e do peixe.
Ao utilizar células tronco no seu processo de produção, a empresa garante a máxima qualidade da carne, com o mínimo de impacto ambiental.
Alguns dos melhores restaurantes dos Estados Unidos já servem essa carne — ainda a preços caríssimos e como iguaria — para seus seletos clientes. Mas, como toda inovação, em algum momento o custo vai cair e o produto se tornará acessível a todos.
E, por fim, quero que você conheça a Just, mais uma startup nascida no Vale do Silício. Essa empresa produz ovos a partir de plantas. É isso mesmo. Os ovos mexidos que você come de manhã, assim como sua omelete, já podem ser feitos com "ovos" que vêm em garrafas.
O produto, a base de feijão e açafrão, é idêntico ao ovo. Porém sem colesterol, sem gordura e riquíssimo em nutrientes.
Agora, quero você pense sobre uma coisa.
Eu citei apenas 3 empresas que estão criando produtos que podem reinventar uma cadeia que movimenta trilhões de dólares todos os anos. Mas existem centenas delas. Em breve, milhares.
A estimativa é de que o mercado de substitutos da carne, como vem sendo chamado, cresça na casa dos 30 por cento ano a ano.
E sabe por que isso realmente vai acontecer? Porque as pessoas estão provando estas carnes, ovos e demais produtos e estão gostando. Eu comi e não percebi diferença alguma para a carne de verdade.
Qual será o futuro do agronegócio num cenário no qual cada vez menos animais serão necessários para produzir carne? No qual cada vez menos grãos serão necessários para produzir ração? No qual os custos do produto final serão muito menores do que agora?
O impacto na economia será gigantesco.