China se empenha para mitigar as mudanças climáticas

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

China se empenha para mitigar as mudanças climáticas

Ao assinar o Acordo de Paris em 2016, a China se comprometeu com a meta de manter o aumento das temperaturas globais abaixo de 2°C dos níveis pré-industriais. Em termos práticos, isso significa que o país deve reduzir suas emissões de carbono em dois terços antes de 2030. Apesar de o governo dos Estados Unidos ter se retirado do acordo, a China ainda persegue seus objetivos com novas políticas governamentais, modelos de negócios inovadores, ações de base e mudanças nos hábitos do consumidor. 

De fato, o país asiático superou sua meta até o momento. Na Cúpula Climática de Ação Global de 2018, em São Francisco, Zhenhua Xie, representante especial da China para mudanças climáticas, disse que "as emissões chinesas de dióxido de carbono por unidade de Produto Interno Bruto caíram mais de 4 bilhões de toneladas em 2017, uma redução de 46% em relação a 2015".  

O consumo de carvão da China diminuiu de forma constante entre 2013 e 2016, com o crescimento dos setores de construção e manufatura dando lugar à expansão nos setores de serviços. Projetos de renovação para atualizar as caldeiras de carvão nas regiões Nordeste de Beijing-Tianjin-Hebei, juntamente com os esforços para obter calor a partir de resíduos e da energia geotérmica, ajudaram, ambos, a reduzir o consumo de carvão em 190 milhões de toneladas em 2016. Enquanto isso, o consumo de gás natural e combustíveis não-fósseis aumentou na China. 

Em nível governamental, o Conselho de Estado lançou o 13º  Plano Quinquenal Nacional para o Desenvolvimento de Indústrias Emergentes Estratégicas, que estabelece que a China fomentará, como "indústrias de base", os carros, ônibus e caminhões movidos a novas energias, a conservação de energia e a proteção ambiental. 

As práticas de negócios também estão evoluindo. Em novembro de 2017, organizações de nove setores, representando um total de 450 mil empresas chinesas, lançaram conjuntamente uma série de iniciativas de baixa emissão de carbono na reunião da CoP-23, em Bonn, na Alemanha. Também se chegou a um consenso sobre a redução de emissões em áreas rurais. Uma iniciativa característica é o projeto Aliança Global para Fogões Limpos, iniciado por Hillary Clinton em 2010, que chegou a Yan'an, no Noroeste da província de Shaanxi, em 2017. Ele faz uso de energias limpas como a solar, o biogás e o combustível de moldagem de biomassa para reduzir emissões de carbono decorrentes da prática tradicional da queima de palha para o aquecimento e a para cozinhar. 

Durante o Fórum Econômico Mundial de 2017, a fintech gigante Ant Financial Service Group formou a Aliança Financeira Digital Sustentável com  o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A empresa chinesa também iniciou um projeto de bem estar público chamado Ant Forest, que incentiva os usuários de aplicativos a escolher o transporte público, a pagar taxas de serviços on-line e a comprar ingressos sem papel. A redução total das emissões de carbono chegou a 670 mil toneladas em abril do ano passado, segundo cálculo da empresa sediada em Hangzhou. 

O rápido desenvolvimento do e-commerce na China trouxe enormes desafios de sustentabilidade para o setor logístico. No ano passado, durante o frenesi anual de compras on-line "Double 11", a gigante de e-commerce,  Alibaba Tmall, entregou aproximadamente 1 bilhão de pacotes, produzindo estimadas 100 mil toneladas de resíduos de embalagens. 

Em resposta, as empresas de comércio eletrônico e logística começaram a oferecer soluções ecológicas de embalagem. O Alibaba Group Holding agora usa algoritmos especiais para minimizar o uso de embalagens e, graças à prática, no ano passado economizou 45 milhões de caixas. A empresa de tecnologia Xiaomi usa big data para selecionar embalagens apropriadas que são recicláveis e minimalistas - incluindo até mesmo fitas adesivas solúveis em água. 

A varejista de produtos eletrônicos Suning introduziu um sistema pelo qual um mensageiro chega para coletar as caixas após a entrega. A plataforma de compras on-line JD.com incentiva o uso de recibos eletrônicos e de caixas de papelão sem fita adesiva em algumas de suas transações. A empresa de logística SF Express utiliza caixas de gelo e reutiliza embalagens em sua logística de cadeias frias. A transportadora de carga SF Airlines economiza 2 mil toneladas de combustível de aviação todos os anos, otimizando seus voos e melhorando seus sistemas de frenagem. 

O público chinês também está mais sintonizado com estilos de vida sustentáveis, a medida que o número de serviços de economia compartilhada aumenta. Por exemplo, as empresas de compartilhamento de bicicletas, Mobike e Ofo, estão ajudando a criar uma tendência de deslocamentos não-poluentes. No ano passado, a Mobike reduziu suas emissões de carbono em 1,27 milhão de toneladas e retirou do ar 9 bilhões de microgramas de material particulado. A Ofo representou uma redução total de emissões de carbono de 3,24 bilhões de toneladas até o final do ano passado, e estava planejando começar a reciclar bicicletas velhas e quebradas. 

No futuro, a China planeja continuar cumprindo suas responsabilidades internacionais diante das mudanças climáticas, enquanto busca suprir suas necessidades econômicas e energéticas.