Conflitos e mudança climática aumentaram a fome no mundo, diz ONU

Publicado em 11/09/2018 por Folha de S. Paulo Online

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O número de pessoas que passam fome no mundo aumentou e chegou a 821 milhões de indivíduos, devido principalmente à mudança climática e às guerras, diz um novo relatório da ONU.

O documento divulgado nesta terça-feira (11) aponta que a fome aumentou em quase toda a África e em parte da América do Sul em 2017 -ano base do estudo- e que a meta de erradicar o problema até 2030 está longe de ser alcançada.

Foi o terceiro aumento consecutivo no número de desnutridos no mundo após uma década de queda e o pior resultado em número absoluto desde 2009, quando 840 milhões de pessoas passavam fome. Em 2016, a estimativa era que 804 milhões de pessoas estivessem desnutridas.

No total, 10,9% da população mundial estava desnutrida em 2017, pior resultado desde 2013.

O levantamento, a edição 2018 do Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, diz ainda que o número de pessoas obesas também cresceu, indo de 600 milhões em 2014 para 672 milhões no ano passado.

A editora do estudo, a economista Cindy Holleman, da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) disse à agência Reuters que a variação de temperatura no globo, secas prolongadas, grandes tempestades e mudanças de estações ter prejudicada a disponibilidade de comida.

"Por isso falamos que temos que agir imediatamente. Nossa preocupação é que isto não ficará melhor, só vai piorar", afirmou ela.  

Segundo a ONU, cerca de 124 milhões de pessoas em 51 países enfrentam níveis alarmantes de fome, causados por conflitos armados e por mudanças climáticas -caso do Brasil. Algumas dessas nações, como o Afeganistão, o Iêmen, a Somália e o Sudão do Sul, passam pelos dois problemas simultaneamente.

O estudo também afirma que o aumento da fome na América do Sul se deve principalmente a queda no valor das commodities que a região exporta, em especial do petróleo. O relatório aponta que a situação é especialmente preocupante na Venezuela, onde 3,7 milhões de pessoas estavam desnutridas em 2017.

Em dez anos, a porcentagem de pessoas que passam fome no país aumentou de 10,5% da população para 11,7% -no restante da América do Sul, o número caiu. 

No Brasil, menos de 2,5% da população (o equivalente a 5,2 milhões de pessoas) passaram fome em 2017, diz o relatório.