Consumidores exigem postura mais sustentável das empresas

Publicado em 12/04/2018 por Jornal do Comércio - RS

Patricia Knebel, de Bento Gonçalves
Não bastasse o forte apelo econômico, com a redução de custos, e os benefícios para o meio ambiente, as empresas têm, agora, um novo estímulo para acelerar os projetos sustentáveis nas suas operações: a vontade crescente dos consumidores, especialmente das novas gerações, de se relacionar com companhias cujo propósito, produtos e soluções estejam alinhados com a perspectiva de um mundo melhor.
Boas práticas e novas tecnologias - como drones, carro elétrico e painéis fotovoltaicos para geração de energia - devem estar na pauta empresarial de todos os segmentos de negócios. "As novas gerações têm um outro jeito de pensar e estão procurando empresas mais amigáveis com o meio ambiente, menos destrutivas e capazes de entregar produtos sustentáveis e saudáveis", comenta o diretor de Recursos Humanos e Sustentabilidade da SLC Agrícola, Álvaro Dilli.
Ele foi um dos painelistas, ontem, do 6º Seminário Brasileiro de Gestão Ambiental na Agropecuária, que faz parte da programação da 8ª edição da Fiema Brasil - Feira de Negócios, Tecnologia e Conhecimento em Meio Ambiente. O evento ocorre até amanhã, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves (RS), e deve reunir cerca de 10 mil pessoas.
No caso do agronegócios, esse interesse se revela, por exemplo, na necessidade de demonstrar que os alimentos vêm de uma origem boa, e não de uma área desmatada ilegalmente. "Não podemos mais fazer as coisas como há 20 anos. Há uma pressão para esses temas, as pessoas estão mais conscientes, e o mundo está melhorando, fatores que forçam a melhoria de processos de toda a cadeia", analisa. Para Dill, tão importante como o viés ambiental e social, porém, é o econômico. "Empresa que está no vermelho não investe em verde", alerta.
A mesma exigência dos consumidores se revela no setor elétrico. O gerente de Meio Ambiente da CPFL Energia, Robson Tanaka, diz que, não apenas os consumidores, mas também os acionistas estão colocando o tema socioambiental no topo das suas prioridades. "As empresas de energia estão sendo cada vez mais cobradas sobre esse tema. As próprias indústrias que compram da gente querem saber exatamente a origem para poder explicar para os seus clientes finais", conta. A CPFL tem apostado nas energias renováveis e inclui, no seu portfólio, parques de energia eólica, solar e hídrica. "O Brasil está em situação boa, pois grande parte da nossa matriz é renovável. A perspectiva é continuar esse modelo, e prova disso foi a competitividade dos últimos leilões e a oferta de empreendimentos renováveis."
A coordenadora da especialização em Energias Renováveis da Pucrs, Aline Cristiane Pan, acrescenta que a tendência é que as cidades, cada vez mais, sejam pensadas para serem sustentáveis. "A sociedade está exigindo que esse tema seja encarado como prioritário, e projetos e obras começarão a ser avaliados não apenas pela lógica financeira, mas também de sustentabilidade", projeta.