Dias, Alckmin, Gleisi e Marina erram nas convenções de seus partidos

Publicado em 08/08/2018 por Folha de S. Paulo Online

São Paulo

Podemos, PSDB, PT e Rede lançaram seus candidatos à Presidência no último sábado (4). Alvaro Dias, Geraldo Alckmin e Marina Silva fizeram discursos. Preso em Curitiba, Lula foi representado por lideranças petistas.

 

“33 milhões de trabalhadores têm carteira assinada e nós temos 90 milhões de trabalhadores como força produtiva”
Alvaro Dias (Podemos)
VERDADEIRO, MAS
 O número de trabalhadores qualificados pelo IBGE como “empregado no setor privado, exclusive trabalhador doméstico, com carteira assinada” era de 32,9 milhões no 2º trimestre deste ano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral. Mas esse número não inclui servidores públicos estatutários (7,9 milhões), empregadores (4,9 milhões) e trabalhadores domésticos com carteira assinada (1,9 milhão). Além disso, Dias minimizou a força de trabalho no Brasil. Entre ocupados e desocupados, era de 104,3 milhões de pessoas no último trimestre. Procurado, Dias disse que “o desemprego aumenta a cada dia, por isso a dinâmica dos números”. 

 

“Temos no Brasil 100 milhões sem acesso a esgoto sanitário [...], 4 milhões [nem] sequer têm banheiro em casa, 35 milhões não têm acesso à água tratada”
Alvaro Dias (Podemos)

VERDADEIRO Os números são confirmados pelo Instituto Trata Brasil, que reúne sociedade e empresas privadas para monitorar avanços no saneamento.

“Os pais do Plano Real [...] possibilitaram que não tivéssemos hoje uma inflação de 3.000%, mas de menos de 3%.”
Geraldo Alckmin (PSDB)
EXAGERADO
 Segundo o IBGE, o IPCA dos últimos 12 meses está em 4,39%. Em junho de 1994, um mês antes do lançamento do real, o IPCA foi de 4.922,6%. Em nota, a assessoria do candidato disse que “a inflação acumulada em 2018, segundo o IBGE, é de 2,6% até junho”. Mas essa taxa considera apenas os seis primeiros meses deste ano.

“13: o número do partido [PT] que lá esteve por 13 anos; e hoje nós temos 13 milhões de brasileiros e brasileiras atirados no desemprego.”
Geraldo Alckmin (PSDB)
VERDADEIRO
 A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnadc/M), do IBGE, estima que, no trimestre de abril a junho de 2018, 12,966 milhões estavam desempregados no país.

“A última tentativa que tivemos para impedir a candidatura do presidente Lula [...] foi essa recente da semana passada [...]. É a primeira vez que há essa interpretação em relação à legislação eleitoral [de que é necessário escolher todos os candidatos até o registro de candidatura]”
Gleisi Hoffmann (PT)
FALSO
 De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o dia 5 de agosto foi estabelecido como data limite para escolha de todos os candidatos (presidente e vice, governador e vice, senadores e suplentes, deputados federais e estaduais) em resolução publicada no Diário de Justiça Eleitoral no dia 2 de fevereiro de 2018. Desde então, nada foi alterado. O TSE informou que as convenções sempre foram o momento de escolha definitiva dos candidatos. Os partidos ainda podem fazer alterações nas chapas até 17 de setembro. Procurado, o PT disse que não responderia.

“A tradição do PT tem sido disputar eleições sempre com coligações”
Gleisi Hoffmann (PT)
VERDADEIRO
 O PT lançou candidato à Presidência nas sete eleições diretas após a ditadura e sempre foi apoiado por uma coligação. O único partido a integrar a aliança todas as vezes foi o PC do B. Os comunistas, no entanto, nunca indicaram um vice. Apenas uma vez, em 1994, o PT lançou chapa “puro sangue”, com Lula e Aloizio Mercadante —mas a coligação em torno dos dois contava com outros cinco partidos. 

“O 1% mais rico [da população brasileira] concentra 48% de toda a riqueza do país, enquanto a metade mais pobre [possui] apenas 3% dessa riqueza [do Brasil]”
Marina Silva (Rede)
EXAGERADO
 Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, em 2017, o 1% mais rico da população concentrava 12,2% da massa de rendimentos do país. Mesmo os 10% mais ricos, que, juntos, tinham 43,3% da massa de rendimentos, não chegavam à marca citada por Marina. Também segundo a Pnad, a metade mais pobre da população ganhava 15,2% da massa de rendimentos do país em 2017. Procurada, Marina não respondeu. 

“Mas conseguimos com ele [Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal] reduzir o desmatamento em mais de 80% por dez anos”
Marina Silva (Rede)
VERDADEIRO
 O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal foi criado em 2004. Neste ano, segundo o Prodes, projeto vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) responsável pelos dados sobre o desmatamento da Amazônia Legal, a área desmatada foi de 27.772 km². Em 2014, a área desmatada caiu para 5.012 km² —uma diminuição de 81% em dez anos.

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