Estoque de arroz cai, preço sobe e cereal terá impacto na inflação

Publicado em 11/07/2018 por Folha de S. Paulo Online

Os dados da produção brasileira de grãos, divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) nesta terça-feira (10), não trouxeram grandes novidades.

Uma informação, porém, preocupa. Os estoques finais de arroz vão recuar para apenas 321 mil toneladas. Se esse dado se confirmar, o país terminará o ano-safra com arroz suficiente para apenas dez dias.

As consequências serão preços elevados para o cereal neste segundo semestre, uma vez que a demanda está aquecida. A alta do arroz vai bater na inflação.

Vlamir Brandalizze, especialista no setor de arroz, diz que realmente o cenário para o cereal será de aperto neste ano. Ele descarta, no entanto, que o país termine a safra com volume tão baixo de estoques. “Deve ficar próximo de 500 mil toneladas.”Nesse caso, estaria garantido o abastecimento de duas semanas.

Segundo o analista, em razão da crise econômica e da maior competitividade do arroz em relação aos outros alimentos, haverá um aumento de preços do cereal neste segundo semestre.

O abastecimento interno ficará ainda mais restrito porque a desvalorização cambial dificulta as importações e facilita as exportações. O país já exportou 600 mil toneladas de arroz neste ano e deverá colocar no mercado externo outras 200 mil nas próximas semanas. Brandalizze acredita que as vendas externas desta safra superem o volume estimado pela Conab de 1,2 milhão de toneladas.

As indústrias já reagem a essa previsão de estoque baixo neste semestre e antecipam as compras. Com isso, a saca do arroz gaúcho em casca vai de R$ 41 a R$ 45. O produto para pagamento a prazo subiu para R$ 46 a R$ 48.

Brandalizze diz que, após quatro anos de dificuldades, este será um período de recuperação para os produtores. Ele acredita que a saca possa atingir os R$ 50, elevando em 50% o custo do arroz nos supermercados para os consumidores.

O preço interno elevado, mesmo com a pressão do dólar, poderá abrir as portas para a importação, inibindo novas altas no mercado brasileiro.

Os números da Conab para o arroz são: produção de 11,8 milhões de toneladas,  consumo de 12 milhões, importação de 1 milhão e exportação de 1,2 milhão.

Na avaliação de Brandalizze, os dados de produção podem estar um pouco acima da realidade, enquanto os de importação devem ser maiores do que os projetados pela Conab.
  
A safra total de grãos projetada pelo órgão governamental é de 228,5 milhões de toneladas em 2017/18, 3,9% menos do que em 2016/17. Arroz, feijão e milho estão entre os produtos que apresentam quedas na produção. Já soja e algodão terão aumentos.
 

 

 
Diferenças A Conab estima a produção de soja em 119 milhões de toneladas neste ano. Os números do IBGE indicam uma evolução menor: 116 milhões.
 
Milho As estimativas de Conab e IBGE estão mais próximas. A primeira indica uma safra total de 83 milhões de toneladas, um pouco menor do que os 84 milhões do IBGE.
 
Monsanto Após notificada da ação da Aprosoja, ocorrida na Justiça de Mato Grosso e referente a uma das patentes da soja Intacta, a Monsanto disse, nesta terça, que, de acordo com a decisão, a patente foi mantida em vigor e o sistema de cobrança de royalties permanece inalterado.
 
Depósito Judicial A Justiça de Mato Grosso determinou que, após o recebimento dos royalties referentes a cada safra futura, a Monsanto deposite em juízo o valor relativo à aquisição da semente Intacta discutida na ação. A ação abrange os produtores da Aprosoja.
 
 Açúcar A consultoria Datagro prevê um superávit de 10 milhões de toneladas de açúcar em 2017/18 e de 5,6 milhões em 2018/19. Índia tem oferte recorde.