Forte demanda de chocólatras na Ásia desafia produtores de cacau

Publicado em 29/05/2019 por UOL

(Bloomberg) - A demanda da crescente legião de chocólatras da Ásia ultrapassou a capacidade de fornecimento dos produtores locais de cacau, impulsionando as exportações de países da África e da América do Sul para a região. A Indonésia, principal produtora e processadora da região, importou cerca de 240 mil toneladas de cacau no ano passado, um recorde, e pode aumentar as compras em 2019, disse Piter Jasman, presidente do conselho da Associação da Indústria de Cacau do país. A Malásia aumentou as importações da fruta em 10%, para 345 mil toneladas no ano passado, segundo dados do conselho de cacau. A produção de cacau na Indonésia encolheu pela metade na última década em meio aos esforços dos agricultores para combater ervas daninhas e devido ao envelhecimento dos pés de cacau. Com isso, muitos estão optando por culturas mais lucrativas. O país passou de grande exportador de cacau para importador. A capacidade de processamento aumentou e as importações da fruta mais do que dobraram em cinco anos. Na Malásia, a história é parecida: a produção diminuiu para menos de 1 mil toneladas em comparação às 100 mil toneladas há duas décadas, segundo dados do conselho, refletindo a migração dos agricultores para o cultivo de óleo de palma. A queda acentuada da produção levou processadores a buscarem cacau de outros países. É o caso da Guan Chong, maior processadora da Ásia, que está pensando em transferir suas unidades para regiões mais próximas de produtores na África ou na América do Sul. Empresas globais têm investido na Indonésia para atender à crescente demanda asiática. O negócio mais recente foi liderado pela Olam International, que gastou US$ 90 milhões no início deste ano para comprar a BT Cocoa. Em 2020, a Ásia deve ser o maior mercado mundial de cacau em pó, usado em produtos como biscoitos, achocolatados e sorvetes. O mercado asiático de produtos de confeitaria de chocolate cresceu a uma taxa anual composta de 5% em cinco anos, com a expansão das economias regionais e da população, segundo Anthony Chien, analista de pesquisas da Euromonitor International.
Repórteres da matéria original: Yoga Rusmana em Jacarta, yrusmana@bloomberg.net;Anuradha Raghu em Cuala Lumpur, araghu3@bloomberg.net