Greve não deve ter efeito na inflação além de julho, aponta IBGE

Publicado em 08/08/2018 por Valor Online

RIO  -  Os preços dos combustíveis e de alguns alimentos devolveram em julho, ao menos parcialmente, a alta registrada um mês antes, em grande parte causada pela greve dos caminhoneiros. Para Fernando Gonçalves, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a paralisação não deve mais influenciar a inflação daqui para frente. “O impacto foi realmente pontual. Se houver algum efeito defasado, será muito residual. Mas não vejo isso acontecendo”, afirma.

Segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, a alimentação dentro do domicílio recuou 0,59%, depois de ter subido 3,09% em junho. Os preços de alguns itens chegaram a cair em torno de 30%, como cebola (-33,50%), batata-inglesa (-28,14%), tomate (-27,65%). Também houve recuo do preço das carnes (-1,27%) e dos ovos (-2,47%).

Por outro lado, leite longa vida subiu 12%, após ter tido alta de 15,63% em junho. Além de ter sido afetado pela greve dos caminhoneiros, esse é o período de entressafra do produto, o que geralmente eleva os preços.

Gonçalves afirma que a queda nos preços de alimentos, especialmente in natura, responde a uma normalização no abastecimento, mas também a questões sazonais. “Existe a questão de aumento de oferta, acompanhando a safra de alguns produtos”, diz.

Nos combustíveis, a gasolina subiu 5% em junho e recuou 1% em julho, enquanto o etanol saiu de alta de 4,22% para queda de 5,48%.

No sétimo mês de 2018, o IPCA aumentou 0,33%, após avançar 1,26% um mês antes.