Guerra de Trump muda o mercado de commodities

Publicado em 11/07/2018 por Valor Online

Guerra de Trump muda o mercado de commodities

A guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos começou a remodelar o mercado mundial de commodities agrícolas. Os compradores chineses de soja, como a estatal Cofco, estão recorrendo ao Brasil como alternativa aos EUA. A soja é uma das commodities escolhidas por Pequim para retaliar as tarifas de importação impostas pelo governo Trump.

Além disso, a China está usando a canola, outra oleaginosa, como ração alternativa para o gado. Comprou cerca de 4,8 milhões de toneladas em 2017, 30% mais que em 2016, a maior parte do Canadá, maior exportador mundial. O interesse tem mantido firme o preço do produto.


Os temores quanto ao futuro do Nafta, o acordo de livre comércio da América do Norte, também estão estimulando o México a diversificar seus fornecedores de commodities. Hoje, os mexicanos são os maiores importadores do milho produzido nos EUA. No ano passado, aumentaram em dez vezes a quantidade do cereal comprado no Brasil. O produto ainda foi sobretaxado pela China, em retaliação aos americanos, criando dúvidas sobre o destino da produção dos EUA.

"Vai ser difícil substituir todas as importações dos EUA, mas até 30% podem ser comprados do Brasil, Argentina e outros países", disse Stefan Vogel, analista do Rabobank.