Igrejas da Alemanha procuram bancos para cuidar de recursos

Publicado em 10/08/2018 por Valor Online

Igrejas da Alemanha procuram bancos para cuidar de recursos

Armin Weigel/AP

Diocese de Eichstaett: investimentos imobiliários arriscados deram prejuízo

Um grupo de clientes tem batido à porta dos bancos alemães com mais frequência hoje em dia: as igrejas. Elas estão buscando mais ajuda profissional para administrar seus ativos. Por um lado, as taxas de juros baixas estão reduzindo os retornos dos investimentos tradicionais. Por outro lado, o aumento da transparência financeira colocou no foco alguns fracassos do passado.

Estima-se que a riqueza das igrejas da Alemanha totalize várias centenas de bilhões de euros. "As igrejas se tornaram cada vez mais profissionais em seus investimentos nos últimos anos e recorrem a gerentes de ativos profissionais, como nós, com mais frequência", segundo Martina Erlwein, que atende a investidores da igreja no banco Joh. Berenberg, Gossler & Company, com sede em Hamburgo.

Daniel Kerbach, diretor de investimento da Merck Finck Privatbankiers em Munique, fez observações semelhantes: "As igrejas são um dos grandes participantes do mercado, e estão usando cada vez mais a gestão de ativos profissional".

Particularmente no atual ambiente de taxas de juros baixas, um "investimento convencional, como comprar e manter títulos em carteira, não consegue mais dar retornos suficiente", disse Philip Schaetzle, diretor de instituições e investidores na Europa da Metzler Asset Management em Frankfurt. Como resultado, há uma diversificação mais ampla, para a qual as igrejas estão buscando ajuda, acrescentou ele.

Ao mesmo tempo, muitas igrejas se comprometeram recentemente a examinar com lupa suas finanças e a publicar relatórios detalhados pela primeira vez. Durante esse processo, elas encontraram erros do passado. Um exemplo é a diocese de Eichstaett, que acredita que investimentos imobiliários arriscados resultaram em prejuízos de milhões de euros. Agora, os especialistas devem cuidar do dinheiro.

Embora as receitas com a chamada "taxa de igreja", cobrada dos fiéis, na Alemanha tenha aumentado nos últimos anos, existe o risco de declínio por conta do enfraquecimento da economia, o que torna o investimento mais importante. As igrejas não precisam apenas de renda para suas operações. Como empregador, eles também têm "obrigações previdenciárias consideráveis", disse Eberhard von Alten, diretor de clientes institucionais da FERI Trust GmbH.

No início de 2018, ele se juntou ao gestor de ativos de Bad Homburg, da diocese de Mainz, onde trabalhava como diretor financeiro desde 2009. "O volume de mercado é difícil de estimar, porque nem todas as igrejas têm uma avaliação pública de seus ativos. Carsten Frerk, um cientista político e especialista em igrejas, tentou uma extrapolação sobre as igrejas católicas e protestantes na Alemanha. "Com base em estimativas plausíveis, as duas igrejas, incluindo suas empresas, reúnem ativos de cerca de € 345 bilhões", disse ele. "No entanto, isso é sem considerar suas organizações Caritas e Diakonie, que têm uma quantidade considerável de ativos imobiliários."

O arcebispado de Munique e Freising é um dos que abre seus livros. Em 31 de dezembro, o balanço total chegava a cerca de € 3,4 bilhões. Além de imóveis, também listou investimentos financeiros de cerca de € 1,5 bilhão. A arquidiocese está de fato trabalhando com os bancos, disse o porta-voz Christoph Kappes. "A colaboração abrange todas as áreas de serviços bancários - desde transações de pagamento até decisões de investimento.

Quanto maiores forem os ativos de cada igreja para investir, mais especiais serão suas necessidades, especialmente no contexto da necessidade de diversificação, de acordo com Axel Rogge, chefe de clientes institucionais do Bethmann Bank, que faz parte do banco holandês ABN Amro Bank. "O mercado imobiliário está sendo procurado, e private equity também pode fazer parte de uma solução de investimento, junto com tendências como a sustentabilidade, que as igrejas vêm nos pedindo há muito tempo", disse ele.

Philip Schaetzle, da Metzler, confirma que as igrejas agora estão interessadas em investimentos líquidos e ilíquidos. "Investimentos ilíquidos, como infraestrutura, no entanto, só estão em demanda por instituições muito grandes", disse ele. Entre os ativos líquidos, as ações se tornaram significativamente mais importantes nos últimos anos. Embora as igrejas tenham investido quase exclusivamente na zona do euro no passado, a diversificação global agora está desempenhando um papel cada vez maior, acrescentou ele.

Eberhard von Alten, da FERI Trust, ainda considera que a maioria dos pedidos das igrejas "pendem para ações e títulos tradicionais". No entanto, alguns investidores, com a ajuda de gerentes externos, estão começando a ganhar experiência em ativos alternativos, disse ele. "A gestão de ativos não é uma especialização central das dioceses e das igrejas regionais, a terceirização é a regra aqui. Isso, é claro, é diferente no caso dos bancos da igreja e dos fundos de pensão da igreja", acrescentou.