Índia da equipe de Bolsonaro já foi moradora de rua e atriz

Publicado em 08/11/2018 por IstoÉ

Índia da equipe de Bolsonaro já foi moradora de rua e atriz

Entre as quatro mulheres que integram a equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro, uma chama mais atenção. Trata-se da índia Silvia Nobre Waiãpi, de 42 anos. Além de ser a primeira indígena a integrar o Exército (ela é segunda tenente), Silvia tem um passado como atriz. Seu último trabalho na televisão foi como Domingas, a empregada da casa do protagonista Cauã Reymond na série "Dois irmãos", de 2015. As informações são do Extra.

Antes disso, Silvia já tinha trabalhado em "Uga uga", de 2000, onde ficou famosa como a Índia Crocoká, que tinha dentes pavorosos e protagonizava cenas hilárias correndo atrás de Marcos Pasquim.

A interpretação, no entanto, não resume nem metade da história de vida de Silvia. Aos 3 anos, ela foi adotada e aos 7, começou a frequentar a escola.

Ainda segundo o Extra, Silvia teve uma filha aos 13 anos. Antes disso, quase morreu ao ter o abdômen perfurado por um pedaço de madeira na floresta em que vivia. Aos 14, ela fugiu da aldeia e foi parar no Rio de Janeiro. Ficou dois meses morando na rua e passou fome até vender uma pedra que trazia de sua tribo.

Silvia contou a Jô Soares em entrevista em 2012 que se foi capaz de vender uma pedra, poderia vender qualquer coisa. Um camelô arrumou um lugar para ela morar, ela saiu vendendo livros e revistas velhos até conseguir emprego no Círculo do Livro. Foi lá que a incentivaram a estudar artes.

A índia se tornou atleta depois de quase sofrer um estupro. Foi medalhista de atletismo pelo Vasco da Gama e conseguiu uma bolsa de estudos para cursar a faculdade de Fisioterapia. Depois da graduação prestou concurso para o Exército e finalmente pôde realizar o sonho de hastear uma bandeira. "Acordo todos os dias pensando que vou mudar meu país", garantiu ela em outra entrevista.

Mãe de três filhos e avó de uma neta, Silvia dá expediente no Hospital do Exército, em Benfica, na Zona Norte do Rio, e até ser convocada por Bolsonaro trabalhava de domingo a domingo fazendo pesquisa na área de reabilitação de lesões medulares.