Indonésio planta 11 mil árvores para devolver água à floresta

Publicado em 28/08/2019 por R7

A presença de figueiras e outras árvores devolveu água aos riachos e formou novos riozinhos na floresta dos montes Gendol e Ampyangan
O trabalho de um idoso indonésio que plantou durante 23 anos mais de 11 mil árvores no centro da ilha de Java conseguiu reverter os estragos das secas e do desmatamento e lhe rendeu o reconhecimento do governo.
Sadiman, de 68 anos, plantou árvore por árvore em 250 hectares de floresta focado em devolver água à região, combater a erosão e conservar o ecossistema desde que o desmatamento se intensificou há duas décadas por causa de vários incêndios consecutivos na encosta sul do Monte Lawu, segundo indicou nesta segunda-feira (26) a agência de desastres indonésia (BNPB) em comunicado.
A agência e líderes do Governo local entregaram ao povoado de Sadiman, Geneng, 100 milhões de rúpias (US$ 7 mil) por "inspirar as pessoas" e realizar sua tarefa "sem receber nenhum pagamento e nem esperar nada em troca".
"No passado, pensavam que eu estava louco. Enquanto os outros (membros da comunidade) plantavam cultivos para se alimentar, eu plantava figueira-de-bengala, mas o que plantei então agora dá água aos residentes e o ar é fresco", disse Sadiman, que utiliza um só nome como muitos indonésios, durante a entrega do prêmio.
A presença destas figueiras e outras árvores devolveu água aos riachos e formou novos riozinhos na floresta dos montes Gendol e Ampyangan, por isso que, na atual estação seca, que começou em junho, mais de 340 famílias têm garantido um fornecimento de água "de graça e independente", segundo apontou a "BNPB".
Além disso, as árvores preveniram a erosão e portanto desastres naturais como inundações e deslizamentos.
Embora o desmatamento da floresta tropical primária no país asiático tenha reduzido nos últimos anos após a implementação de novas políticas governamentais, a Indonésia ainda é o terceiro país que mais floresta tropical perdeu em 2018, um total de 340 mil hectares, segundo o "World Resources Institute".
No entanto, o Greenpeace advertiu que a redução ocorreu também por fatores climáticos e pelo cultivo de óleo de palma, indústria que foi responsável em várias ocasiões por incêndios de florestas para ganhar terreno cultiváveis.