Investimento de impacto cresce 7,7% na AL entre 2016 e 2017

Publicado em 11/10/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  O investimento de impacto na América Latina, ou seja, a injeção de recursos em empresas que buscam tanto o ganho financeiro quanto o retorno social ou ambiental, cresceu 7,7% no biênio de 2016 a 2017, comparado aos dois anos anteriores, segundo o "Panorama do setor de investimento de impacto na América Latina", divulgado pela Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande) em parceira com a Associação para o Capital Privado na América Latina (Lavca).

O volume de novos aportes do gênero na região atingiu US$ 1,4 bilhão no período em 860 operações. E esse montante deve continuar a crescer. Conforme o levantamento, os investidores esperam dispor de mais de US$ 1 bilhão por ano entre 2018 e 2019 para projetos de impacto na América Latina.

As 67 firmas especializadas em participação em empresas que responderam a pesquisa mantêm US$ 4,7 bilhões em ativos sob gestão alocados especificamente em projetos de impacto na região. Mais da metade, cerca de 52% dos fundos, tem sede fora da América Latina. E a maioria - 22 casas - está nos EUA.

"Apesar do ambiente macroeconômico desafiador e de a volatilidade das moedas ter influenciado a captação de recursos para fundos de private equity e venture capital (PE/VC) na América Latina, os investidores internacionais ainda estão investindo na região", afirmou a presidente e diretora-executiva da Lavca, Cate Ambrose.

Conforme a representante da associação, "a indústria de venture capital, em particular, continuou a amadurecer, com o surgimento de empresas 'unicórnio' na região e alguns destaques no setor de tecnologia".

O diretor-executivo da Ande, Randall Kempner, ressaltou que a necessidade e a oportunidade para investimento de impacto na América Latina permanecem claras: "oito dos 20 países do mundo com maior desigualdade de renda são da região".

O crescimento de investimento entre fundos com sede nos próprios países da região foi maior. O volume investido pelos fundos de impacto latino-americanos saltou de US$ 95 milhões em 2014 e 2015 para US$ 193 milhões nos dois anos seguintes, ou seja, um crescimento de 103%.

Os setores que mais receberam recursos foram microfinanças, com US$ 782 milhões em 369 operações, e agricultura, com US$ 300 milhões divididos em 276 aportes, e concentraram 75% das operações. As fintechs tiveram injeção de US$ 56 milhões entre 2016 e 2017, em 26 operações.

Conforme o levantamento, o Brasil ficou em quarto lugar por total de recursos recebidos em projetos de impacto, com US$ 131 milhões e 69 operações. A liderança da lista foi do Peru, com US$ 218 milhões e 152 operações, seguido de Equador e México, que tiveram alocações de US$ 185 milhões e US$ 169 milhões em 189 e 108 negócios, respectivamente.

De acordo com o relatório, o total investido em empresas em fase de expansão ou crescimento atingiu US$ 703 milhões e quase metade das 860 operações.

Em termos de saídas, os investidores relataram 27 desinvestimentos nos dois últimos anos em um total de US$ 42 milhões. Segundo o levantamento, o ganho médio de capital variou de 23%, após um ano de investimento, a 15% depois de três anos.