JBS fecha acordo de R$ 12,2 bilhões com bancos

Publicado em 16/05/2018 por Jornal do Comércio - RS

Um ano após a colaboração premiada de Joesley e Wesley Batista, a JBS anunciou alta do lucro líquido, redução do endividamento e um novo acordo com os bancos credores para renegociar boa parte de sua dívida por três anos. A avaliação de pessoas que acompanham a empresa de perto é que o pior da crise já ficou para trás.
O acordo selado com os bancos - nacionais e internacionais - garante a manutenção de linhas de crédito de R$ 12,2 bilhões por um período de três anos, com o compromisso de que 25% do principal será pago nesse período a partir de janeiro do ano que vem.
O montante abrange 78% da dívida da JBS e é significativamente menor que os R$ 21,7 bilhões repactuados em julho do ano passado, pouco depois de os irmãos confessarem que haviam pago propina a centenas de políticos. A redução do valor se deve à normalização das relações com alguns bancos e ao pagamento de dívidas graças à venda de ativos.
Desde que a delação estourou, os Batista venderam seus negócios fora do ramo de frigoríficos: a calçadista Alpargatas, o laticínio Vigor e metade da fabricante celulose Eldorado. Eles se desfizeram ainda de algumas operações da JBS na América do Sul e de um confinamento no Canadá. Boa parte do dinheiro foi utilizada para pagar as dívidas da JBS, cujo endividamento líquido caiu 4,8%, de R$ 47,8 bilhões para R$ 45,5 bilhões.
A empresa tem hoje uma disponibilidade de recursos de R$ 15,1 bilhões - R$ 10,8 bilhões em caixa e R$ 4,3 bilhões de linhas de crédito automáticas da sua filial nos Estados Unidos, uma espécie de "cheque especial". O valor supera os R$ 13 bilhões do endividamento de curto prazo. Os fortes resultados operacionais da JBS também estão ajudando a fortalecer a confiança dos credores.
No primeiro trimestre deste ano, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 506,5 milhões, crescimento de 43,5% acima do mesmo período de 2017. A receita líquida subiu 5,8%, para R$ 39,8 bilhões.
A empresa vem se beneficiando do bom desempenho da economia dos Estados Unidos, onde está a maior parte dos seus negócios. O faturamento das divisões de carne bovina e carne suína nos EUA avançaram 2,9% e 5%, respectivamente, enquanto na subsidiária Pillgrims Pride, que vende carne de frango, o aumento foi de 10,8%. Já no Brasil, o faturamento da JBS caiu 4,7%, e o da Seara 2,7%.
Se a empresa vai bem, a situação legal dos Batista ainda é delicada. Depois de passar seis meses na cadeia em prisão preventiva, Joesley e Wesley ganharam o direito de responder aos processo em liberdade, mas não podem trabalhar nas suas empresas. Eles estão sendo investigados por prática de "insider trading" e brigam na Justiça pela validade do seu acordo de delação.
JC