Leite tem previsão de produção menor, mas mais equilíbrio na balança externa

Publicado em 08/08/2018 por Folha de S. Paulo Online

As projeções de longo prazo dos principais produtos do agronegócio brasileiro, feitas neste ano, apresentam um ritmo de crescimento bem acima do que se previa nos anteriores.

O setor do leite, porém, deu marcha a ré. Em 2015, quando o Ministério da Agricultura fez as previsões de produção para 2025, estimava-se uma captação de 47 bilhões a 53 bilhões de litros de leite no país.

Nas projeções deste ano, divulgadas na segunda-feira (6), os números de 2025 indicam uma produção de 41 bilhões a 46 bilhões de litros, bem abaixo das estimativas iniciais.

Essa disparidade ocorre porque as projeções feitas em 2015 se baseavam no ritmo de crescimento de 2014, período em que o país atingiu 35 bilhões de litros, o pico da produção nacional.

Nos anos seguintes, o setor perdeu ritmo, e a produção recuou para até 33,6 bilhões de litros em 2016.
Os números mais recentes do Ministério da Agricultura indicam que o setor ficará com produção de 43 bilhões a 48 bilhões de litros em 2028. É um cenário menos otimista do que o de 2015, mas mais realista em termos de consumo e de importações.

O consumo de leite deverá aumentar 23% nos próximos dez anos. As exportações, 29%. Já as importações, um dos gargalos do setor, ficarão estáveis no mesmo período.

O setor de leite é um dos que ainda precisam de um choque de tecnologia e, consequentemente, de aumento de produtividade.

Muito suscetível às oscilações de mercado, principalmente às de custos, a pecuária de leite tem de melhorar a gestão nas fazendas, buscar redução de gastos na produção e aumentar a produtividade dos animais.

Os pecuaristas que buscam essas práticas e estão se profissionalizando têm permanecido no mercado. Outros, pressionados pelas baixas margens do setor, saíram da atividade.

As perspectivas de crescimento são boas, uma vez que a pecuária tem ainda muita tecnologia para incorporar. Isso garante custos menores e melhor qualidade do produto.

Apesar de ter o maior rebanho comercial mundial, o Brasil tem déficit na balança comercial de leite e de derivados. Uma evolução da produção e produtos de qualidade podem elevar o consumo interno e permitir acesso do país ao mercado externo.

Os novos rumos da atividade, que vem buscando maior escala de produção nas fazendas, devem promover essa mudança.

O Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2017, divulgado no mês passado, apontou que os líderes de produção são Minas Gerais (9 bilhões de litros), Rio Grande do Sul (4 bilhões) e Paraná (3,4 bilhões).

Os principais números das projeções do agronegócio do Ministério da Agricultura apontam para uma produção de grãos de 302 milhões de toneladas em 2028.

A produção de milho deverá atingir 113 milhões de toneladas, 27% mais do que a atual, e de soja sobe para 156 milhões, 33% mais.