Lenovo aposta em armazenamento de dados para setores do agronegócio

Publicado em 29/04/2019 por DCI

Responsável por 40% do faturamento da multinacional na América Latina, Brasil tornou-se um dos maiores mercados do grupo; baixo investimento em telecomunicações é visto como entrave
Frente às novas demandas do segmento de data centers, a multinacional de equipamentos de informática Lenovo estreita as parcerias com provedores em nuvem. No Brasil, esse movimento se reflete em uma aposta da companhia em setores com crescente potencial no garimpo de dados.
“Existe uma tendência para que os mercados emergentes apresentem uma aderência maior às novas tecnologias. No caso do Brasil o que vemos é que dependendo do setor, por exemplo seguros, finanças ou agronegócio, tem mostrado consumo rápido dessas tecnologias se compararmos com países mais ‘maduros’”, disse ao DCI o CEO da Lenovo Brasil, Rodrigo Guércio. Para o executivo, em função da evolução em termos de inovação que o setor do agronegócio vem registrando, esse mercado será um dos carros-chefes da operação da empresa no País. “Temos uma quantidade gigantesca de geração de dados por meio de máquinas autônomas e também atuação de drones no campo. Com isso, vamos tentar atingir esse mercado com a prestação de serviços de armazenamento e processamento de tais informações”, diz Guércio, destacando que há cinco anos essa percepção era nula. Segundo ele, a cultura sobre a utilização desses dados na produção agrícola tem impulsionado as parcerias da Lenovo com provedores para gerenciar essas informações. “Por exemplo, hoje o produtor usa o processamento dessas imagens capturadas para determinar a semente que deve ser utilizada”, argumentou ele, lembrando que, em 2018, o faturamento da multinacional atingiu US$ 50 bilhões.
Questionado sobre os principais desafios a serem superados no médio prazo, o executivo ressaltou que “na vasta maioria dos países, o investimento em tecnologia da informação e telecomunicações é muito maior do que no Brasil”. “Se essa postura se mantiver, ainda teremos os altos custos para gerenciar e mandar esses dados de uma região para outra nos próximos anos”, complementou Guércio. Na mesma perspectiva, o CEO da Lenovo na América Latina, José Luis Fernandez, explica que o mercado brasileiro é o maior entre os países da América Latina – responsável por 40% do faturamento bruto da companhia no continente. “Assim como o Brasil é o maior mercado na região, também é o mais complexo em termos de dinâmica comercial e fiscal. Uma das maiores diferenças em comparação aos outros países sul-americanos é que temos nossa própria manufatura”, afirmou Fernandez. De acordo com ele, tradicionalmente os players desse mercado fazem uma “sub-locação” dessa produção com parceiros locais. No caso da Lenovo, porém, existe a aquisição de fábricas próprias para produção desses equipamentos. “Esse posicionamento nos dá vantagens competitivas em alguns aspectos. Isso nos fornece um bom nível de segurança em relação aos dados e o tempo de entrega desses produtos”, afirmou ele, destacando que com a produção própria existe maior controle sobre a prestação de serviços.
Por fim, o executivo menciona que uma das razões pelas quais as pessoas optam pelos provedores em nuvem é a conveniência do ambiente. “O que temos trabalhado é adequar os custos sobre a prestação de serviços com o perfil de cada cliente, de forma personalizada. Por isso, os usuários atualmente desejam a possibilidade de flexibilidade nesse sentido”, complementou ele.