Lucro da Ouro Fino teve alta de 87% no trimestre

Publicado em 08/08/2018 por Valor Online

Lucro da Ouro Fino teve alta de 87% no trimestre

Graças a uma estratégia comercial mais "agressiva" e a um ganho tributário extraordinário, a paulista Ouro Fino Saúde Animal, maior indústria veterinária de capital nacional, reportou ontem um lucro líquido de R$ 24,3 milhões, aumento de 86,9% em relação aos R$ 13 milhões de igual intervalo do ano passado.

Desconsiderando os efeitos tributários não recorrentes - a Ouro Fino ganhou R$ 4 milhões com a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins -, o lucro da empresa veterinária também cresceu. No segundo trimestre, o lucro ajustado da Ouro Fino somou R$ 21,1 milhões, alta de 41,6% ante os R$ 14,9 milhões registrados no mesmo período de 2017.

Ao Valor, o principal executivo de finanças e diretor de relações com investidores da Ouro Fino, Kleber Gomes, ressaltou que a companhia obteve o quinto crescimento trimestral consecutivo. A empresa, sediada em Cravinhos (SP), teve entre abril e junho, receita líquida de R$ 161,6 milhões, 17,2% mais que os R$ 137,8 milhões do segundo trimestre de 2017.

As vendas também foram impulsionadas pela primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa. Diante da oferta mais enxuta de vacinas da concorrência - um volume recorde de vacinas foi rejeitado em testes pelo Ministério da Agricultura -, a Ouro Fino acabou se beneficiando tanto em volume quanto em preços. Em média, o negócio da vacinas contra aftosa responde por 8% das vendas da empresa.

Segundo o executivo, esse crescimento é fruto da estratégia "agressiva" da Ouro Fino, que aumentou o número de visitas de técnicos e vendedores nas fazendas. Hoje, a equipe comercial da Ouro Fino (que inclui a força de vendas e os veterinários) tem cerca de 180 pessoas, informou.

Ao mesmo tempo em que intensificou as visitas a fazendas para ampliar vendas, a Ouro Fino manteve a política comercial mais restrita adotada no ano passado, afirmou Gomes. Após sofrer em 2016 com uma política comercial que concedia muitos descontos e prazos de pagamentos aos clientes, a empresa apertou o cinto. Com isso, conseguiu recuperar a rentabilidade, de acordo com o executivo.

A combinação entre a política comercial mais austera e o reforço das visitas fez com que as despesas crescerem menos do que as vendas, segundo Gomes. No segundo trimestre, as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A, na sigla em inglês) da Ouro Fino subiram 12,9% na comparação anual, somando R$ 52,4 milhões. Assim, responderam por 32,4% da receita líquida. No mesmo intervalo de 2017, essa fatia era de 33,6%.

Nesse cenário, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 54,8% no segundo trimestre, alcançando R$ 45,5 milhões. Excluindo o efeito tributário positivo não recorrente, o Ebitda da Ouro Fino cresceu 26%, atingindo R$ 40,7 milhões.