Um mundo mais faminto

Publicado em 12/09/2018 por A Gazeta - MT

Quarta, 12 de setembro de 2018, 00h00

Editorial

Da Editoria

Aumenta o número de pessoas com fome no mundo, divulga em relatório a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Embora a maior parte dos famintos ainda habite a Ásia, continente que abriga mais de 500 milhões de pessoas, o crescimento da fome está acentuado na África, América Latina e no Caribe.

Chegamos a 821 milhões de pessoas famintas no planeta, o que representa dizer que um em cada 9 habitantes passaram fome no ano passado, um aumento de 17 milhões de pessoas em relação a 2016.

De acordo com os especialistas a triste realidade já é considerada um dos maiores retrocessos da história, voltando o planeta, ao patamar de 10 anos atrás. Esse ritmo, afirmam, nos afasta do cumprimento da meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2- Fome Zero até 2030.

Pessoas em grave situação de insegurança alimentar na África somam 29,8 milhões e na América Latina, esse número chega a 9,8 milhões. No Brasil, segundo estudiosos, os números da fome ainda podem ser considerados estáveis, mas apontam para 2,5% da população ainda em grave situação alimentar

Além dos conflitos sociais, as condições climáticas extremas estão entre os principais fatores nesse recente aumento e a crise na Venezuela tem sido apontada como uma das causas deflagradoras para esse crescimento da fome na América Latina.

Então, a fome é mesmo um saco sem fundo, ou os governos estão falhando de forma vergonhosa em relação aos seus compromissos sociais? Em cadeia, as consequências da insegurança alimentar são muito graves para todas as gerações.

A desnutrição em crianças ainda é grande e os avanços ao combate a essa realidade em todo o mundo, muito lentos. A fome é mais rápida e voraz que a implementação das políticas afins de combate a ela.

Na Ásia, por exemplo, uma em cada 10 crianças com menos de 5 anos tem peso abaixo do recomendado para a altura e uma mulher em cada 3 na idade reprodutiva em nível mundial sofre com anemia, o que não cabe mais aceitar e que é tratado no relatório como vergonhoso.

O estudo vem expor mais uma vez a fome como uma profunda ferida que de um lado, está tão mal curada que qualquer mínimo esbarrão volta a sangrar, e do outro, completamente aberta e infeccionada colocando em risco o futuro de milhões de pessoas. E pede mais uma vez que seja redobrado o esforço entre as nações para o combate a essa que mais parece uma doença crônica, mas que ao contrário, tem cura.

O esforço tem sido hercúleo por parte das organizações humanitárias mundiais, que muitas vezes não conseguem avançar mais pelo próprio descaso político das regiões em sofrimento.

É preciso romper com o ciclo vicioso da desnutrição que há décadas, passa de geração a geração. Como se tivesse caído na vala comum da banalização e que de alguma forma sustenta e contraditoriamente alimenta a engrenagem capitalista.

É preciso garantir comida às populações! As políticas voltadas para a Segurança Alimentar precisam atender verdadeiramente, não só os que se encontram vulneráveis, mas os que estão em petição de miséria alimentar.

E a resposta precisa ser rápida, com ou sem conflitos, com ou sem interferências climáticas.

São bebês, crianças pequenas, mulheres grávidas, adolescentes, jovens, adultos e idosos, todos com olhos mergulhados na desesperança e mãos estendidas a esmo, por um pedaço de pão.