Planos de recompra de ações nos EUA batem recorde

Publicado em 11/07/2018 por Valor Online

Planos de recompra de ações nos EUA batem recorde

Os anúncios de recompras de ações pelas companhias dos EUA bateram um recorde no segundo trimestre, alimentando a discussão sobre como suas diretorias estão gastando os frutos recebidos dos cortes de impostos sancionados pelo presidente Donald Trump em dezembro. Os planos de recompras de quase US$ 437 bilhões anunciados nos três meses até 30 de junho eclipsaram o recorde trimestral anterior, de US$ 242 bilhões, estabelecido três meses antes, segundo a empresa de análises de investimentos TrimTabs.

"As ações da América corporativa sugerem que a maior parte dos benefícios decorrentes do corte de impostos fluirá para os investidores em geral e para os executivos de cúpula em particular", disse a TrimTabs. A companhia observou que a maioria dos executivos mais graduados possuem grandes pacotes de remuneração baseados em ações, que vão se beneficiar do uso do dinheiro dos acionistas para reduzir o número de ações em circulação, o que aumentará os preços dos papéis.

A TrimTabs traçou um contraste com as distribuições relativamente pequenas de benefícios fiscais aos funcionários, estimando que a soma empenhada nas recompras no último trimestre "poderia bancar 6,8 milhões de bônus de US$ 1 mil para os trabalhadores a cada dia de negociação." Os investidores estão mais concentrados no equilíbrio entre as recompras e os investimentos, enquanto estudam a safra de balanços do segundo trimestre nos EUA, que inicia para valer nesta semana. As demonstrações de resultados das empresas revelarão qual a proporção das recompras de ações autorizadas no trimestre foi de fato realizada.

Os investimentos em bens de capital começaram o ano fortes, com alta de 24%, para US$ 166 bilhões no primeiro trimestre, segundo o Credit Suisse. Analistas ficaram surpresos com o fato de o ritmo de crescimento dos investimentos entre as empresas que fazem parte do índice S&P 500 ter superado o aumento das recompras e dos dividendos, mas o gasto total ainda ficou abaixo dos gastos com recompras no mesmo período.

"O crescimento dos investimentos está melhorando pela primeira vez em seis anos e isso está tendo um papel importante na recuperação. Esse acontecimento está nos dando algum motivo para otimismo com a longevidade do ciclo de negócios", escreveu o economista-chefe do Morgan Stanley, Chetan Ahya.

No entanto, os temores de uma guerra comercial começaram a afetar as expectativas quanto à continuidade do boom dos investimentos no mesmo ritmo, com a "Business Roundtable" informando em junho que seu índice de planos dos membros para investimentos de capital caiu 7,8 pontos no segundo trimestre, para 107,6 pontos.

As estimativas consensuais para os lucros das empresas no segundo trimestre vêm aumentando, mas analistas estão atentos para ver se as demonstrações de resultados fornecerão mais informações sobre planos de investimentos das empresas. Os investidores também querem confirmar se a alta recente dos salários para os níveis registrados após a crise financeira já começou a afetar as margens de lucro.

A TrimTabs disse que 63 empresas anunciaram recompras de ações de pelo menos US$ 1 bilhão no segundo trimestre. A Apple liderou a lista, com o anúncio de uma recompra recorde de US$ 100 bilhões em maio, e 19 companhias de serviços financeiros contribuíram com um valor combinado de US$ 112 bilhões para o total, com Wells Fargo, J.P. Morgan Chase e Bank of America anunciando, cada um, planos de recomprar mais de US$ 20 bilhões em ações próprias nos próximos meses.