Por falta de vacinas, imunização contra a aftosa é prorrogada

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

Por falta de vacinas, imunização contra a aftosa é prorrogada

Por falta de vacina, o Ministério da Agricultura prorrogou até 10 de dezembro a segunda etapa da campanha de vacinação do rebanho bovino contra o vírus da febre aftosa nos Estados do Acre, Mato Grosso, Maranhão, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Ceará. No Amazonas, o prazo foi estendido para 14 de dezembro. Pelo cronograma original, a campanha se encerraria na última sexta-feira.

Em comunicado à imprensa, o Ministério da Agricultura informou que o prazo foi ampliado nos sete Estados porque eles registraram falta de vacina em razão de estoques menores nas revendas.

A Pasta atribuiu o problema à mudança na dosagem das vacinas, medida tomada para evitar os casos de reações dos animais ao produto. No ano passado, os Estados Unidos embargaram a carne bovina in natura do Brasil após detectarem abscessos (acúmulo de pus) na carne. O problema foi associado à vacina contra aftosa.

Com as mudanças, a partir de 2019 a vacina terá 2 mililitros, e não mais 5 mililitros. Assim, as vacinas de aftosa do padrão antigo que sobrassem neste ano teriam de ser descartadas, o que teria feito com que as revendas segurassem as compras. Além disso, o ministério alegou que problemas no sistema informatizado de controle oficial provocaram a escassez das vacinas.

O Ministério da Agricultura não citou, mas o alto índice de rejeição de vacinas nos testes feitos pelo governo também pode ter contribuído para a falta de vacina. Em maio, o Valor revelou que a Pasta reprovou um volume recorde de 40 milhões de doses de vacinas - lotes produzidos pelas veterinárias MSD e Boehringer. As duas empresas chegaram a entrar com recursos judiciais contra a reprovação dos lotes, mas não obtiveram sucesso. Na ocasião, o governo e as indústrias informaram que não havia risco de desabastecimento.

Entre os Estados que tiveram problemas está o Paraná. Segundo o Ministério da Agricultura, o Estado recebeu quantidade de doses de vacina abaixo da necessidade do rebanho. A previsão era aplicar 10 milhões de doses, mas as revendas do produto formaram um estoque de 8,3 milhões de doses.

A falta de vacinas no Paraná também pode estar associada ao possível fim da vacinação do rebanho no Estado em 2019. O Estado almeja obter o status da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) de livre de aftosa sem a necessidade de vacinação, o que abriria as portas de mercados relevantes para a carne suína, como Japão e Coreia do Sul.

Em todo o território brasileiro, 337,7 milhões de doses de vacina devem ser utilizadas este ano, de acordo com estimativa da Divisão de Febre Aftosa (Difa) do ministério. O governo brasileiro tem um cronograma para deixar de vacinar o rebanho até 2023.

Com o fim da vacinação, a pecuária teria uma economia de mais de R$ 500 milhões anuais, segundo o ministério. Para a indústria veterinária, no entanto, a extinção da vacina é um revés. O produto é o segundo mais importante em faturamento, respondendo por 7% das vendas das veterinárias.