Rede recomenda que nenhum filiado vote em Bolsonaro no segundo turno

Publicado em 11/10/2018 por Valor Online

Rede recomenda que nenhum filiado vote em Bolsonaro no segundo turno

BRASÍLIA  -  O Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, defendeu em nota divulgada na madrugada desta quinta-feira uma recomendação para que seus filiados e simpatizantes "não destinem nenhum voto" ao candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro.

Em nota, a legenda faz duras críticas ao PT, e pede para que os integrantes votem de acordo com a "consciência" e do que "considerem melhor para o país".

O texto diz que o Rede "não tem ilusões quanto às práticas condenáveis do PT, dentro e fora do governo", mas que "frente às ameaças imediatas e urgentes à democracia, aos grupos vulneráveis, aos direitos humanos e ao meio ambiente", a opção para os filiados seria anular o voto ou votar no petista Fernando Haddad.

Questionada se votaria em Haddad, Marina desconversou. "Eu ainda não estou declarando meu voto, estou declarando a posição da Rede Sustentabilidade. Essa foi a decisão que foi tomada diante da situação difícil a que fomos levados neste segundo turno. Não temos nenhuma identidade com os projetos que chegaram ao segundo turno", afirmou.

Segundo a nota da legenda, "os dois postulantes no segundo turno representam projetos de poder prejudiciais ao país, atrasados do ponto de vista da concepção de desenvolvimento, autoritários em relação ao papel das instituições de Estado, retrógrados quanto à visão do sistema político e questionáveis do ponto de vista ético".

Mesmo assim, o Rede diz ser "impossível ignorar que o projeto de Bolsonaro representa um retrocesso brutal e inadmissível em três pontos muito caros aos princípios e propósitos da Rede": conquistas ambientais e direitos das comunidades indígenas e quilombolas; ataques aos direitos humanos e à diversidade e ameaça à democracia.

A nota também afirma que, independentemente do resultado, o partido fará "oposição democrática" ao governo eleito.

Marina terminou a disputa em oitavo lugar, com cerca de 1% dos votos. Em 2014, ela conquistou o apoio de mais de 22 milhões de eleitores.