Rentabilidade do agronegócio, por Agroanalysis/FGV

Publicado em 03/04/2019 por Notícias Agrícolas

Os cálculos das rentabilidades médias das atividades agropecuárias e de outras opções de investimento de capital são feitos anualmente pela Scot Consultoria. Esse trabalho implica a utilização de modelos econômicos que levam em consideração fatores estimados para cada negócio. Conforme os índices técnicos, a localização da produção, a estrutura produtiva e o nível tecnológico, os resultados apurados podem ter signi?cativa variação.
Para 2019, a expectativa é de que o câmbio e a demanda chinesa pesem menos sobre os preços da soja no mercado interno. Com isso, os resultados econômicos deverão ser piores em comparação aos resultados apurados em 2018, quando houve boas oportunidades de negociação para o grão. Para o milho, o aumento da produção na temporada 2018/19 é um fator de baixa sobre as cotações, especialmente a partir de maio/junho, com a co-lheita da segunda safra no País.
Já na pecuária de corte, a expectativa é de que a oferta de bovinos para abate seja menor em 2019 em relação a 2018. O mercado, aliás, começa a sentir os efeitos do aumento dos abates de fêmeas últimos anos no Brasil. Com isso, esperamos preços maiores (valorização acima da in?ação) para a arroba do boi gordo e de animais de reposição. Do lado da demanda interna por carne bovina, também se espera um cenário melhor conforme melhorar a situação econômica do País.
Por ?m, para a pecuária de leite, o cenário em termos de preços recebidos pelo produtor deverá ser melhor no primeiro semestre de 2019 compa-rativamente a igual período de 2018. A aposta está na recuperação da demanda interna em conjunto a um cenário de oferta ajustada. A expectativa é de continuidade do crescimento do consumo interno, porém ainda abaixo ao de antes da crise.
Do lado dos custos de produção, as perspectivas são de custos menores. No caso do milho, por exemplo, a maior disponibilidade nessa temporada deve manter o preço do cereal em patamares mais baixos do que os do ano passado. Em resumo, as rentabilidades da pecuária (corte e leite) deverão melhorar neste ano, principalmente para os sistemas de produção mais tecni?cados e que fazem o planejamento da compra de insumos.
RESULTADOS EM 2018
Em 2018, a taxa de câmbio, em dólar, apresentou a maior rentabilidade média entre as atividades e os indicadores analisados. A valorização foi de 18,51% no ano, bem superior ao resultado de 2017, de 0,88%. Isso pode ser explicado pela forte valorização da moeda norte-americana em relação ao real no primeiro semestre, tendo chegado a superar R$ 4,20.
Na sequência, apareceram o Ibovespa (15,03%) e o ouro (11,43%), além do arrendamento para cana- de-açúcar (7,44%) e da produção de cana (7,11%).Todos esses indicadores e atividades apresentaram rentabilidade maior do que a in?ação do período, de 7,10%, medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). É possível ver, na tabela que consta nesse artigo, as rentabilidades agropecuárias e os indicadores de 2017 e 2018.
Entre as atividades agrícolas e pecuárias, após a cana-de-açúcar, destacam-se a produção de soja e milho, que apresentaram preços em alta durante 2018. No caso da soja, a alta de preço decorreu da demanda externa aquecida dos chineses. A exportação do produto foi recorde. Já para o milho, foi a queda registrada na oferta em face da menor produção. As duas culturas tiveram um aumento dos custos de produção na temporada 2017/18 por causa, principalmente, dos preços nos adubos, em decorrência da desvalorização do real em relação ao dólar.
Na pecuária de corte de recria e engorda, em todos os níveis de tecnologia, os resultados pioraram em comparação a 2017. Os seus preços médios, no geral, tiveram um tênue recuo. Isso diminuiu a relação de troca dessas atividades com os insumos. O aumento dos custos de produção, principalmente dos alimentos concentrados e dos suplementos minerais, também pesou de forma negativa.
No caso da pecuária leiteira, a rentabilidade média da atividade de alta tecnologia (25 mil litros/hectare/ano) caiu, passando de 2,08%, em 2017, para 0,15%, em 2018. Para os sistemas de baixa tecnologia, com produtividade média de 1,5 mil litros/hectare/ano, a rentabilidade foi negativa em 9,45%.
Apesar do cenário geral, 2018 registrou valorização do preço do leite pago ao produtor, que subiu, em média, 4,5% em relação a 2017. Por outro lado, o indicador de custo de produção da atividade leiteira também apresentou incremento de 4,5%.
Para a pecuária leiteira de baixa tecnologia, esse foi o sétimo ano consecutivo de rentabilidade negativa. Foi o pior resultado entre as atividades agropecuárias analisadas.
Para mais informações, acesse o site da Agroanalysis
Por: RAFAEL RIBEIRO DE LIMA FILHO / JULIANA PILA
Fonte: Agroanalysis/FGV