Resultados nos EUA devem crescer 20% no 2º tri

Publicado em 11/07/2018 por Valor Online

Resultados nos EUA devem crescer 20% no 2º tri

A safra de balanços corporativos do segundo trimestre nos EUA, que começa extraoficialmente nesta sexta, deve trazer a segunda maior taxa de crescimento nos lucros em sete anos, atrás apenas da expansão vista nos três meses iniciais deste ano. As projeções indicam que os resultados melhoraram em 20% em relação ao ano anterior. E essa expectativa ajuda a explicar o otimismo de Wall Street, que nos últimos dias encontrou espaço para deixar de lado as preocupações com a guerra comercial entre EUA e China.

"Embora as tarifas [da guerra comercial] imponham riscos ao sentimento do mercado, o impacto potencial nos lucros agregados do S&P 500 é limitado porque as exportações à China correspondem a apenas 1% do PIB americano", diz David J. Kostin, estrategista-chefe para o mercado acionário americano do Goldman Sachs.

A sólida alta nos preços do petróleo, os efeitos dos cortes de impostos aprovados pelo governo Trump em 2017 e a fortaleza da economia americana são os principais fatores que amparam o cenário de crescimento dos lucros e das receitas.

O câmbio também terá efeito positivo sobre os balanços das companhias entre abril e junho - nas contas do Bank of America Merrill Lynch (BofA), de 1 ponto percentual. Isso porque o dólar médio caiu 5,8% ante o segundo trimestre de 2017. Uma moeda mais fraca barateia os produtos americanos vendidos no exterior.

O BofA espera crescimento de 21,5% nos lucros por ação (EPS, na sigla em inglês) das empresas componentes do S&P 500 para o período entre abril e junho de 2018, em relação a um ano antes. Ou seja, apenas uma pequena desaceleração ante a taxa de 23,7% do primeiro trimestre.

Setorialmente, as empresas de energia devem mostrar o maior aumento nos lucros, de mais de 140%. Isso se explica pelo salto de 41% do preço médio do petróleo americano (WTI) no segundo trimestre ante o mesmo intervalo de 2017.

Além do setor de energia, o Credit Suisse elenca os de tecnologia, financeiro, materiais básicos e varejo de Internet (todos cíclicos) como os que devem revelar expansão de dois dígitos, mesmo excluindo os benefícios com os cortes de impostos - uma maneira de medir o real crescimento dos setores.

Nesse caso, o Credit projeta crescimento de 12,7% nos EPS agregados do S&P 500 no segundo trimestre. Incluindo os benefícios dos cortes de impostos, a previsão salta para a faixa entre 23% e 24%. Esse intervalo considera uma estimativa entre 300 pontos-base e 400 pontos-base de crescimento "extra", com base no histórico de superação das estimativas. A expectativa do banco suíço é que o corte tributário deva ter adicionado 7,4 pontos percentuais à taxa de crescimento dos lucros corporativos.

Para além do segundo trimestre, o bom momento da economia deve permitir que os lucros continuem a crescer em ritmo forte. A empresa de pesquisa FactSet, por exemplo, prevê que as taxas de expansão permaneçam em torno de 20% nos próximos trimestres. E isso respalda cenários em que o S&P 500 se mantêm em alta. "A meta de preço para o S&P 500 nos próximos 12 meses é de 3.093,12 pontos", diz John Butters, analista sênior de balanços da FactSet. Essa pontuação, um novo recorde para o índice, equivale a uma valorização de 10,7% ante o fechamento de ontem.

Na mesma linha, o BofA diz que, embora o pico de crescimento dos lucros tenha ficado no primeiro trimestre, o histórico sugere que isso não é razão para vender ações. "No curto e médio prazo após os picos, o S&P 500 continuou entregando retornos positivos, embora mais moderados", afirma Savita Subramanian, estrategista de ações do BofA.

David J. Kostin, estrategista-chefe para o mercado acionário americano do Goldman Sachs, estima que as margens de lucros tenham se elevado em até 88 pontos-base, a uma taxa recorde de 10,9%, com alta de 11% nas vendas, a maior desde o terceiro trimestre de 2011.

Porém, ele faz ressalvas. Apesar da queda do dólar médio, a moeda tem subido nos últimos meses (4,5% desde o fim de março). Os setores de tecnologia da informação, materiais básicos e energia - entre os que entregarão maior crescimento no segundo trimestre - são os que possuem a maior fatia de vendas no exterior. Portanto, podem ter seus resultados afetados por um dólar mais forte.

Além disso, espera-se que a prevalência de "surpresas positivas" nos resultados corporativos diminua em relação à taxa de 78,8% do primeiro trimestre - a mais alta desde o terceiro trimestre de 2009, de acordo com dados da Yardeni Research.

"Um ambiente macroeconômico ligeiramente mais fraco vai resultar numa normalização da taxa de surpresas positivas nos balanços em relação aos elevados níveis do primeiro trimestre", afirma Kostin, do Goldman Sachs. "Daqui para a frente, os investidores vão se concentrar em ações de empresas com elevadas e estáveis margens brutas", conclui o estrategista do banco.