Suzano oferece opção de contrato de celulose com preço fixo em 2019

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

Suzano oferece opção de contrato de celulose com preço fixo em 2019

Ana Paula Paiva/Valor

Aníbal, diretor executivo: clientes têm se queixado da volatilidade dos preços neste ano, o que afeta diretamente os custos

Em uma iniciativa pouco usual para a indústria de celulose, e com validade apenas para 2019, a Suzano Papel e Celulose está oferecendo a seus clientes a possibilidade de travar o preço da matéria-prima no próximo ano. A medida vem em um momento em que a Suzano S.A., nome que será adotado após o fechamento da fusão com a Fibria, passa a contar com capacidade instalada de 11 milhões de toneladas por ano e de pressão sobre os preços especialmente na China, apesar de não haver oferta adicional de fibra curta prevista pata os próximos dois anos.

De acordo com o presidente da companhia, Walter Schalka, a proposta é oferecer aos clientes maior previsibilidade de preços, que podem ser travados na cotação de referência atual, também com desconto fixo. "É uma excepcionalidade", afirmou. De acordo com o diretor executivo de celulose Carlos Aníbal, clientes têm se queixado da volatilidade dos preços neste ano, o que afeta diretamente os custos. Por isso, a empresa deu a opção de fixar o preço lista até dezembro de 2019. "Estamos trabalhando com os clientes os contratos de 2019 e muitos querem diminuir a volatilidade de preços", comentou.

Conforme Aníbal, a expectativa é positiva para a demanda global de celulose. Para justificar a projeção de alta, o executivo argumentou que, no terceiro trimestre, houve aumento da produção mundial em 1 milhão de toneladas ante igual período de 2017 e, a ainda assim, os estoques atingiram em setembro 41 dias, ante 42 dias em junho. "O mercado absorveu essa produção adicional".

Ao mesmo tempo em que revelou essa modalidade de contrato, a Suzano anunciou a formação da diretoria após a fusão com a Fibria, que será concluída em 14 de janeiro. Schalka, como já era sabido, permanece na presidência da companhia, que será organizada em unidades de negócios. Leonardo Grimaldi segue à frente da unidade de negócios papel. Aníbal permanece na unidade de celulose, responsável por comercial e logística, enquanto Aires Galhardo, vindo da Fibria, responderá pela área industrial, de engenharia e energia nessa unidade.

Alexandre Chueri segue no comando da unidade florestal e Fabio Prado continua na unidade de bens de consumo. Nas áreas corporativas, a Suzano S.A. terá Pablo Machado, que já está na companhia, à frente do jurídico e relações institucionais. Malu Paiva vem da Fibria para a área de sustentabilidade e Marcelo Bacci continua à frente de finanças e relações com investidores. Para a área de recursos humanos, comunicação, estratégia e tecnologia da informação, a Suzano contratou Christian Orglmeister. Fernando Bertolucci, atualmente na Fibria, responderá por P&D, e Vinicius Nonino, também da Fibria, ficará à frente de novos negócios. Mariano Zavattiero, já na Suzano, responderá pela diretoria de auditoria.

Questionado sobre a composição do conselho de administração, Schalka disse que o novo colegiado e comitês estão sendo constituídos e serão anunciados oficialmente em 14 de janeiro. "A composição específica do conselho é uma deliberação dos acionistas e vamos aguardar, mas posso dizer que haverá alguém do BNDES indicado", adiantou. A nova marca da empresa será apresentada na mesma data e combinará a palavra "Suzano" e o logo da Fibria, uma folha verde.

De acordo com Schalka, cerca de 90% das sinergias da fusão serão capturadas nos próximos dois anos. Estimadas por analistas em torno de R$ 10 bilhões, essas sinergias serão provenientes de quatro grandes áreas: florestal, administrativo (SG&A), suprimentos e logística. "Essas sinergias estão prontas para ser capturadas", afirmou.

Já a alavancagem da companhia combinada, em dólar, ficará menor do que 2,9 vezes até o fim do ano, segundo Marcelo Bacci. O indicador considera a dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação de amortização). "No fim de setembro, a alavancagem foi de 2,9 vezes e vai diminuir. Esse é um ótimo cenário, melhor que nossas expectativas", afirmou.