Trégua comercial entre EUA e China traz euforia ao mercado

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  O apetite global por risco aparece com força nos mercados após a trégua comercial firmada no fim de semana, na Argentina, entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping.

Trump se comprometeu a não elevar de 10% para 25% tarifas sobre US$ 200 bilhões em importações da China a partir de 1º de janeiro. Em troca, a China se comprometeu a reduzir ou eliminar tarifas de 40% incidentes em carros produzidos nos EUA e exportados ao país asiático, disse Trump em um tuíte no fim da noite.

Os dois lados concordaram em iniciar negociações para esfriar as tensões comerciais e discutir a transferência forçada de tecnologia, proteção à propriedade intelectual, barreiras não-tarifárias e questões cibernéticas e agrícolas, entre outras.

Em um briefing nesta segunda-feira, autoridades chinesas não confirmaram nem desmentiram o tuíte do presidente americano. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang, disse hoje em Pequim que "os dois líderes chegaram a um importante consenso" no fim de semana e que "levarão adiante esse consenso". O porta-voz não respondeu diretamente a questões sobre as tarifas de carros. A Bolsa de Xangai avançou 2,57% e o índice Shenzen disparou 3,27%.

O otimismo impulsiona os ativos de risco e as commodities nesta manhã e derruba o dólar e os preços dos títulos do Tesouro dos EUA. O petróleo opera em alta, assim como o ouro. No fim de semana, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que seu país e Arábia Saudita concordaram em estender o acordo de corte da produção de petróleo. 

Na Europa, as principais bolsas operavam no terreno positivo, com Londres e Frankfurt registrando alta acima de 2%. Papéis de empresas ligadas a matérias-primas e do setor automotivo eram destaque.

Em Wall Street, os futuros acionários apontam uma abertura em forte alta nesta sessão, com os três índices (S&P 500, Dow Jones e Nasdaq) subindo mais de 2%. A Bolsa de Valores de Nova York e a Nasdaq vão fechar na quarta-feira em homenagem ao ex-presidente George Herbert Walker Bush, que morreu neste fim de semana.

Com otimismo global, Ibovespa pode buscar novos recordes

No Brasil, os mercados financeiros tendem a acompanhar o clima de otimismo global e iniciar o mês com desempenho positivo - com destaque para o Ibovespa, que pode renovar suas máximas. Os investidores seguem atentos ao noticiário político, em especial às questões relacionadas à cessão onerosa.

Na última sexta-feira, o Ibovespa renovou sua máxima intradiária, aos 90.245 pontos, mas perdeu força no fim do pregão e fechou aos 89.504 pontos. A menor percepção de risco quanto aos atritos comerciais entre Estados Unidos e China, somada ao avanço firme do petróleo, tendem a impulsionar as ações de Petrobras, Vale e outros ativos ao longo do dia.

O dólar comercial também tende a ser influenciado pelo clima de otimismo visto no mercado global de câmbio. Na sexta-feira passada, a moeda americana avançou 0,18%, aos R$ 3,8581 - em novembro, o salto foi de 3,64%. Os DIs fecharam a sessão de sexta-feira em leve queda, acumulando perdas no penúltimo mês de 2018.

No front político, os investidores continuam acompanhando os desdobramentos das discussões a respeito do projeto de lei da cessão onerosa - o tema pode ser colocado em votação amanhã no Senado. No entanto, as discussões a respeito do modelo de partilha dos recursos com Estados e municípios ainda não estão fechadas, o que alimentam as incertezas quanto ao avanço da pauta.