Troca de informações sobre leite orgânico empolga 60 produtores e técnicos em São Carlos

Publicado em 10/06/2019 por São Carlos Agora

Na última quinta e sexta-feira (6 e 7/06), cerca de 60 produtores, técnicos e interessados na produção de leite orgânico se reuniram em São Carlos  para o segundo módulo do Curso de Pecuária Leiteira Orgânica promovido pela Embrapa Pecuária Sudeste e fazenda Nata da Serra. É o segundo ano que o curso acontece e foi programado um encontro entre a turma do ano passado e a nova. A troca de conhecimentos e informações animou os dois grupos.
A extensionista Ana Paula Roque, de Itapetininga, iniciou o curso neste ano. “Achei bem interessante a conversa entre os dois grupos. Saio daqui motivada, os dois primeiros módulos foram bem legais, estou bem empolgada para os próximos”, comentou. O curso começou em abril e terá mais quatro módulos até outubro.
Neste módulo 2, os inscritos tiveram palestras sobre sanidade animal com o veterinário Marco Aurélio Bergamaschi, chefe de Administração da Embrapa Pecuária Sudeste, e sobre homeopatia, com o também veterinário Mário Ramos, da Secretaria de Agricultura de Bauru. “A palestra sobre homeopatia foi uma surpresa para mim, é uma área que eu conheço muito pouco. É uma coisa que você tem que abrir a cabeça para aceitar. Falar de energia para quem está acostumado a falar de medicamento é uma coisa muito nova”, disse Ana Paula.
Érico Kolya fez o curso no ano passado, quando estava interessado em produzir, mas ainda não havia iniciado a atividade em sua propriedade, o sítio Pé do Morro, em Cabreúva (SP). “Foi muito bacana participar desse módulo, agora como produtor. No ano passado eu conheci o [programa] Balde Cheio, fiz contato com o técnico da minha região, começamos a preparar o solo e as pastagens no meio do ano e as vacas chegaram em dezembro”, contou.
O programa Balde Cheio, a que ele se refere, é uma iniciativa da Embrapa que visa capacitar a assistência técnica para o atendimento a produtores de leite. O projeto de transferência de tecnologia foi lançado há 21 anos pelo centro de pesquisa de São Carlos e em 2017 passou a atuar em rede, agregando outras 14 Unidades da Embrapa em todo o Brasil.
“Vir aqui, ver as pessoas novas entrando, o interesse delas... só de ter uma segunda edição do curso já mostra que valeu a pena. Ver as empresas entrando no ramo de orgânico é superlegal, ouvir as histórias das pessoas que fizeram o curso no ano passado e como elas implementaram e deu certo, é muito bacana”, continuou Érico.
TROCAS
Na sexta-feira de manhã, os participantes fizeram uma dinâmica de integração e troca de experiências. Ao final, eles elogiaram a oportunidade de fazer parte de um grande grupo que compartilhava informações sobre pecuária leiteira orgânica. Indicaram que faltou tempo para ouvir mais ideias de quem tem experiência e apresentaram sugestões para superar desafios da cadeia.
No período da tarde, ouviram o relato do produtor italiano Piero Alberti, que fez o curso no ano passado e produz orgânicos em San Gimignano há 30 anos. A família dele decidiu produzir também no Brasil, há quatro anos, em Cássia dos Coqueiros (SP). Piero falou das diferenças culturais, tecnológicas e de incentivos entre a pecuária brasileira e aquela praticada na União Europeia.
“Lá as propriedades são bem menores e não há incentivos para produzir orgânicos. Você ganha uma pontuação se não polui, se é mulher, se a propriedade é pequena, mas não por ser orgânico”, afirmou. Piero disse ainda que na Itália nunca havia pensado em utilizar robô para a ordenha porque sempre quis empregar mão de obra, dificuldade que está enfrentando no Brasil.
No final da tarde, o grupo visitou o sistema de leite da Embrapa Pecuária Sudeste. O terceiro módulo do curso acontecerá nos dias 4 e 5 de julho na Embrapa Pecuária Sudeste e o conteúdo será abordado pelo pesquisador Artur Chinelato de Camargo, idealizador do Balde Cheio.