Veto a 20 frigoríficos de aves pela UE vale a partir de hoje

Publicado em 16/05/2018 por Folha de Londrina


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Embargo deve reduzir em 30% os embarques do produto aos 28 países da UE neste ano: para controlar oferta, a indústria tende a reduzir a produção


A proibição imposta em abril pela UE (União Europeia) à importação de carne de frango de 20 frigoríficos brasileiros passa a valer a partir desta quarta-feira (16), o que deixa representantes do setor com temor de demissões na indústria e de prejuízos aos granjeiros. A medida foi anunciada após a PF (Polícia Federal) deflagrar a Operação Trapaça, desdobramento da Carne Fraca, que investiga fraudes em análises laboratoriais relacionados à contaminação pela bactéria Salmonella pullorum, ainda que a BRF negue, em nota, riscos à saúde de consumidores.


Das 20 plantas, oito estão no Paraná, maior produtor de frango do País. O presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins), Artur Bueno de Camargo, afirma que todas as nove empresas que são alvo do embargo respondem por 170 mil postos de trabalho em todo o Brasil, os quais ficam sujeitos a cortes, caso a proibição não seja revista.

Projeção da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) estima que o embargo reduza em 30% os embarques do produto aos 28 países da UE neste ano. Para conter o excesso de oferta, a indústria tende a reduzir a produção, cenário em que os avicultores também serão afetados. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil exportou 201 mil toneladas de frango para o bloco em 2017, ou US$ 765 milhões.

Gerente técnica da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ariana Weiss Sera afirma que é preciso que o setor e o governo brasileiro se unam para reverter o embargo, o quanto antes. Ela conta que o órgão é parceiro da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) na Comissão de Aves e Suínos, que ainda busca levantar informações em todo o País sobre o impacto da medida em granjeiros, trabalhadores e famílias.

No Paraná, Sera diz que a Faep buscará discutir com a indústria uma solução. "É importante lembrar que, com as Cadecs, alguns produtores poderão receber pelo período em que as granjas estarão vazias, porque ele têm seu custo. É preciso que os que participam dessas associações as procurem para se informar", diz a gerente técnica. A Cadec (Comissão para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração) funciona como um canal de negociação entre frigoríficos e criadores de frango organizados.

FÉRIAS COLETIVAS
O presidente da CNTA afirma que, em audiências com representantes da indústria no Ministério do Trabalho, foi acordado que os trabalhadores em todo o País fariam uma espécie de férias coletivas em turnos. O paliativo, que ele estima ser eficaz por no máximo 90 dias, serviria para evitar demissões enquanto a proibição não é revista. "Mesmo os frigoríficos que não estão entre esses 20 vão entrar, porque existe uma queda no consumo que será direcionado ao mercado interno, mas que afeta todo o País e as cadeias produtoras de outras carnes também", diz Camargo.

O sindicalista acredita que o excedente no mercado nacional, que ainda patina para ter uma recuperação econômica, prejudicará ainda os pequenos frigoríficos, com menor capacidade de sobreviver a um período mais longo de prejuízos. "Essa não é a primeira crise do tipo e não vai ser a última. É preciso criar mecanismos para prevenção e por isso propomos um comitê tripartite, para não depender do poder público, que é lento."

A redução de preço esperada no mercado já atinge os agricultores, O analista técnico Maiko Zanella, da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), afirmou na última segunda-feira (14) que o custo do produção do frango está em R$ 2,70, mas o valor pago ao produtor caiu para R$ 2,46 por quilo de ave viva. (Com informações da Agência Brasil)

BARREIRA SANITÁRIA
Os ministros da Camex (Câmara de Comércio Exterior) autorizaram ainda no fim de abril, por unanimidade, o início das tratativas de abertura de contencioso junto à OMC (Organização Mundial do Comércio), para contestar barreiras impostas pela UE (União Europeia) à carne de frango brasileira. Apesar de o bloco europeu argumentar que se trata de questão sanitária, basta que os frigoríficos brasileiros paguem uma tarifa de 1.024 euros por tonelada para liberar a entrada da carne, mas como produto in natura. Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a taxa extra-cota reduz as exigências sanitárias quanto a salmonellas de 2,6 mil tipos da bactéria para dois.

Professor de economia na UFPR (Universidade Federal do Paraná) e ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) no Estado, Eugenio Stefanelo considera ineficaz a abertura do contencioso na OMC diante do risco econômico imposto pela proibição ao País. "Falta ao Brasil adotar medidas equivalentes aos queijos finos, aos vinhos e a outros produtos europeus para que eles sentem e negociem, da mesma forma que a China fez com os Estados Unidos após tarifas ao aço do governo Trump", disse, em entrevista na última segunda-feira (14).

Assim, Stefanelo acredita que a reversão da medida poderia ser mais veloz. Ele lembra que o embargo foi imposto em um momento em que o Mercossul, bloco do qual o Brasil faz parte, busca fechar um acordo comercial negociado há quase duas décadas com a UE. "Mas o Brasil não tem a tradição de tomar essas medidas", completou Stefanelo. (F.G.)

A proibição imposta em abril pela UE (União Europeia) à importação de carne de frango de 20 frigoríficos brasileiros passa a valer a partir desta quarta-feira (16), o que deixa representantes do setor com temor de demissões na indústria e de prejuízos aos granjeiros. A medida foi anunciada após a PF (Polícia Federal) deflagrar a Operação Trapaça, desdobramento da Carne Fraca, que investiga fraudes em análises laboratoriais relacionados à contaminação pela bactéria Salmonella pullorum, ainda que a BRF negue, em nota, riscos à saúde de consumidores.Das 20 plantas, oito estão no Paraná, maior produtor de frango do País. O presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins), Artur Bueno de Camargo, afirma que todas as nove empresas que são alvo do embargo respondem por 170 mil postos de trabalho em todo o Brasil, os quais ficam sujeitos a cortes, caso a proibição não seja revista.Projeção da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) estima que o embargo reduza em 30% os embarques do produto aos 28 países da UE neste ano. Para conter o excesso de oferta, a indústria tende a reduzir a produção, cenário em que os avicultores também serão afetados. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil exportou 201 mil toneladas de frango para o bloco em 2017, ou US$ 765 milhões.Gerente técnica da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ariana Weiss Sera afirma que é preciso que o setor e o governo brasileiro se unam para reverter o embargo, o quanto antes. Ela conta que o órgão é parceiro da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) na Comissão de Aves e Suínos, que ainda busca levantar informações em todo o País sobre o impacto da medida em granjeiros, trabalhadores e famílias.No Paraná, Sera diz que a Faep buscará discutir com a indústria uma solução. "É importante lembrar que, com as Cadecs, alguns produtores poderão receber pelo período em que as granjas estarão vazias, porque ele têm seu custo. É preciso que os que participam dessas associações as procurem para se informar", diz a gerente técnica. A Cadec (Comissão para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração) funciona como um canal de negociação entre frigoríficos e criadores de frango organizados.O presidente da CNTA afirma que, em audiências com representantes da indústria no Ministério do Trabalho, foi acordado que os trabalhadores em todo o País fariam uma espécie de férias coletivas em turnos. O paliativo, que ele estima ser eficaz por no máximo 90 dias, serviria para evitar demissões enquanto a proibição não é revista. "Mesmo os frigoríficos que não estão entre esses 20 vão entrar, porque existe uma queda no consumo que será direcionado ao mercado interno, mas que afeta todo o País e as cadeias produtoras de outras carnes também", diz Camargo.O sindicalista acredita que o excedente no mercado nacional, que ainda patina para ter uma recuperação econômica, prejudicará ainda os pequenos frigoríficos, com menor capacidade de sobreviver a um período mais longo de prejuízos. "Essa não é a primeira crise do tipo e não vai ser a última. É preciso criar mecanismos para prevenção e por isso propomos um comitê tripartite, para não depender do poder público, que é lento."A redução de preço esperada no mercado já atinge os agricultores, O analista técnico Maiko Zanella, da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), afirmou na última segunda-feira (14) que o custo do produção do frango está em R$ 2,70, mas o valor pago ao produtor caiu para R$ 2,46 por quilo de ave viva. (Com informações da Agência Brasil)Os ministros da Camex (Câmara de Comércio Exterior) autorizaram ainda no fim de abril, por unanimidade, o início das tratativas de abertura de contencioso junto à OMC (Organização Mundial do Comércio), para contestar barreiras impostas pela UE (União Europeia) à carne de frango brasileira. Apesar de o bloco europeu argumentar que se trata de questão sanitária, basta que os frigoríficos brasileiros paguem uma tarifa de 1.024 euros por tonelada para liberar a entrada da carne, mas como produto in natura. Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a taxa extra-cota reduz as exigências sanitárias quanto a salmonellas de 2,6 mil tipos da bactéria para dois.Professor de economia na UFPR (Universidade Federal do Paraná) e ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) no Estado, Eugenio Stefanelo considera ineficaz a abertura do contencioso na OMC diante do risco econômico imposto pela proibição ao País. "Falta ao Brasil adotar medidas equivalentes aos queijos finos, aos vinhos e a outros produtos europeus para que eles sentem e negociem, da mesma forma que a China fez com os Estados Unidos após tarifas ao aço do governo Trump", disse, em entrevista na última segunda-feira (14).Assim, Stefanelo acredita que a reversão da medida poderia ser mais veloz. Ele lembra que o embargo foi imposto em um momento em que o Mercossul, bloco do qual o Brasil faz parte, busca fechar um acordo comercial negociado há quase duas décadas com a UE. "Mas o Brasil não tem a tradição de tomar essas medidas", completou Stefanelo. (F.G.)