Vinhos de Portugal reúne 6 mil pessoas

Publicado em 11/06/2018 por Valor Online

Claudio Belli / Valor

De sexta-feira até ontem, o público pôde degustar cerca de 600 rótulos e ter contato com seus 84 produtores

Seis mil pessoas participaram da edição paulista do evento Vinhos de Portugal, realizada de sexta-feira até ontem no Shopping JK Iguatemi. Neste ano, 84 produtores vieram a São Paulo apresentar seus vinhos, o que somou aproximadamente 600 rótulos.

O modelo do festival, que ocorreu pelo quinto ano no Rio de Janeiro e pelo segundo na capital paulista, é uma fronteira na forma de apresentar o vinho ao mercado brasileiro, segundo alguns produtores. Isso porque, diferentemente de outros eventos similares, que têm um amplo horário de degustação, o Vinhos de Portugal divide em turnos de duas horas o contato entre consumidores e produtores.

"Para mim está claro que, por conta desse limite de tempo, o visitante não é mais aquela pessoa que vem só para beber. É alguém que está mesmo interessado em provar e conhecer", diz Anthony Smith, sócio da Lima&Smith, que trouxe suas três marcas: Covela, Quinta de Boavista e Quinta das Tecedeiras.

Curiosidade e história podem ser o motor de uma nova relação dos brasileiros com os vinhos portugueses, acredita Smith, já que temos raízes comuns e "o consumidor hoje busca outras coisas além de vinhos chardonnay e malbec e o território português tem mais de 250 castas registradas para decifrar".

Para a diretora de marketing da ViniPortugal, Sonia Vieira, o aumento de 28 produtores com relação ao ano passado prova que o evento em São Paulo só tende a crescer nos próximos anos. "Fomos visitados por 6 mil pessoas incluindo cursos, provas e mercado de vinhos. São números muito positivos, especialmente porque se trata de um público qualificado tanto de formadores de opinião quanto de restaurantes.

Claudio Belli / Valor

Sofia Prazeres, ex-tenista profissional, é uma das sócias da Quinta de S. José

Alguns vinhos apresentados no evento, como o branco "papa-figos" da Casa Ferreirinha, lançado no ano passado em Portugal, aqui chegará primeiro a restaurantes e mercados especiais. "Esta é a segunda safra e a primeira a ser exportada", conta Filipe Neves, um dos enólogos da casa. Por conta da produção ainda pequena, que deve totalizar 200 mil garrafas em 2018 (do tinto são 800 mil), ela foi dirigida apenas para os mercados preferenciais: Brasil, Reino Unido e Estados Unidos. A garrafa, que em Portugal sai por € 7, aqui chega por R$ 120, trazida pela Zahil.

Muito em função dessa diferença, das taxas cambiais e alfandegárias, o Brasil é um mercado para vinhos muito baratos, mas não para rótulos de preço médio-alto, queixa-se Sofia Prazeres, da Quinta de S. José, no Douro. Seus vinhos, que já são vendidos no Rio há alguns anos, acabam de chegar a São Paulo, onde ela participou do evento pela primeira vez.

Sofia, ex-tenista profissional que não gostava de vinho, deixou as quadras para trabalhar com o marido, João Brito e Cunha. "Hoje sou eu que abro as garrafas em casa", conta, rindo, para demostrar o quanto o mundo do vinho a seduziu. "Os gostos se aperfeiçoam depois de muita prática. Vinho é convívio, prazer e tema de conversa." Os quatro rótulos da Quinta de S. José, importados pela Quintas do Douro, custam entre R$ 150 e R$ 900.

Fora dos dias do evento propriamente ditos, a cidade foi movimentada por almoços e jantares entre produtores, donos de restaurante e importadores. Nos bastidores, durante um almoço da importadora Mistral, o veterano produtor e enólogo Luis Pato, que se declara um anti seguidor de modas, anunciou que vem aí uma onda de vinhos de vinhas velhas tanto brancos quanto tintos - que são mais encorpados. No Douro, região tradicional do Vinho do Porto, demarcada desde 1756, há vinhas com mais de 100 anos.

Com rótulos no mercado brasileiro desde 1990, Luis Pato, conhecido como o "revolucionário da Bairrada" - ele se diz o "mágico" - não se inquieta com o momento atual, de alta do dólar e incertezas em relação às eleições, e compara o Brasil à uma serra: "Quando está em baixa, a gente tem que esperar para subir. Já me acostumei às crises. É preciso sempre olhar a longo prazo".

O Vinhos de Portugal é um evento realizado pelos jornais "O Globo", "Público" e Valor, e pela revista "Época", com parceria do Vinhos de Portugal e patrocínio do Pão de Açúcar. O evento tem apoio da agência regional de promoção turística Centro de Portugal, do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, das Comissões de Vinhos do Alentejo e do Dão, da Universidade de Coimbra, da TAP, do Senac-SP e do Experimenta Portugal.