Alta do minério é conjuntural, dizem analistas

Publicado em 05/12/2017 por DCI

05/12/2017 - 05h00

Alta do minério é conjuntural, dizem analistas

Restrições aplicadas pelo governo chinês às siderúrgicas para reduzir a poluição levaram a uma demanda maior por insumo de boa qualidade, mas expansão da oferta global deve pesar em 2018

Terminal de minério de ferro no porto de Qingdao, na China
Terminal de minério de ferro no porto de Qingdao, na China
Foto: dreamstime

São Paulo - O movimento de valorização recente dos preços do minério de ferro, segundo especialistas, é conjuntural, e tem a ver com medidas de combate à poluição por parte do governo da China, fazendo com que as siderúrgicas busquem um insumo de maior qualidade.

Para o analista de siderurgia e mineração da Tendências Consultoria, Felipe Beraldi, a restrição do governo chinês à atividade siderúrgica acabou impactando no preço do minério de ferro, principal insumo dessas empresas.

"As siderúrgicas vão buscar um minério de qualidade superior, com 62% ou mais de teor de ferro, que polui menos e que não existe na China", explica. Desse modo, espera-se um impulso nas importações da commodity com essas especificações, produzida principalmente no Brasil e na Austrália.

No entanto, Beraldi entende que esse movimento tem vida curta, já que em 2018 o Partido Comunista Chinês será mais cauteloso ao estimular a economia, ainda no plano do país de aumentar a participação do consumo e reduzir a importância das exportações no Produto Interno Bruto (PIB). "Neste ano, houve um aumento da concessão de crédito no mercado imobiliário, o que não deve ocorrer em 2018", lembra.

Além disso, o analista ressalta que as maiores companhias do setor - Vale, Rio Tinto e BHP Billiton - estão aumentando a produção. "A oferta segue em expansão com minas novas aqui e na Austrália", diz.

Especulação

Segundo Beraldi, é importante destacar que os preços do minério de ferro estão com uma volatilidade bastante elevada, de modo que grande parte da alta pode ser causada por um movimento especulativo. Em agosto, a tonelada do minério de ferro à vista custava US$ 77, valor que caiu a US$ 60 nos meses subsequentes e que, em novembro, voltou a ultrapassar os US$ 70. O produto com teor médio de 62% de ferro negociado no porto de Qingdao chegou a US$ 72,68.

Na opinião do analista, o minério de ferro terá uma média de preço de US$ 58 a tonelada em 2018, 17% abaixo dos US$ 70 previstos para 2017, mas ainda um pouco acima da cotação média de 2016, de US$ 57,60. Nesta segunda-feira (04), os contratos futuros de minério negociados na bolsa chinesa de Dalian tiveram alta de 4,78%.

Na visão do diretor da mesa de operações da corretora Mirae Asset, Pablo Stipanicic Spyer, a perspectiva é de alta para o insumo, pelo menos por enquanto. "Nossos clientes asiáticos estão apostando que o preço do minério vai subir. Eles acreditam na recuperação da economia chinesa, que trará uma valorização nas commodities exploradas por países emergentes", afirma.

Ricardo Bomfim

Assuntos relacionados:

mineração