Aplicações para os mais diversos fins

Publicado em 11/10/2017 por Valor Online

Marcelo Zufo, da USP: "Vamos usar um tijolo e não sabemos fabricar o tijolo" Por todo o Brasil, já estão sendo desenvolvidas diversas aplicações de internet das coisas (IoT) para os mais diferentes usos. Algumas puderam ser conferidas na Futurecom. Claudio Bressan Vieira, especialista da área de desenvolvimento de negócios da Fundação Certi, de Florianópolis, apresentou um case de indústria 4.0. Trata-se do projeto da linha de produção do laboratório de eletrônica da fundação, que serve como ambiente de desenvolvimento e de fabricação de pequenos lotes de sensores. "Fizemos um projeto de customização em massa, sem necessidade de readequação do processo ou sofrer perdas por paradas quando produzíssemos apenas uma peça", explica Vieira. O projeto inclui um portal para o cliente fazer a solicitação e customizar na plataforma o tipo de sensor que deseja. "Todo o sistema fica rastreado com tag de identificação, para que se tenha histórico de produção, garantia da qualidade e da segurança. E existe a possibilidade de criação de novos modelos de negócio. Já temos quatro clientes usando solução similar", diz Vieira. Marcelo Zufo, professor do Laboratório de Sistemas Integráveis da Universidade de São Paulo (USP), apresentou o Programa Caninos Loucos, um centro de design de microeletrônica que tem a ambição de transformar o Brasil, de grande consumidor da cadeia de eletrônicos, em um player também exportador. "IoT vai acontecer, mas nem tudo será aberto, especialmente o hardware. Vamos usar um tijolo e não sabemos fabricar o tijolo", diz Zuffo. A ideia é fabricar aqui o "single board computer", as placas necessárias em projetos de inovação, que, fora do país, custam US$ 30, mas que, no Brasil, custam US$ 400, devido aos impostos. "Temos uma linha de manufatura completa com infraestrutura de manufatura avançada para eletrônica e chips, o centro de design, projetistas, arquitetos, e os especialistas que são os "Caninos Loucos", uma marca para extrapolar as fronteiras do país. E também o primeiro produto, o Labrador, nossa primeira plataforma Quad Core", anuncia Zuffo. O C.E.S.A.R., de Recife, desenvolveu uma solução de IoT para monitoramento e controle de pivôs de centrais de irrigação. O sistema é usado em agricultura extensiva, especialmente no Centro Oeste, substituindo um processo manual. Segundo Eduardo Peixoto, executivo chefe de negócios do C.E.S.A.R., o equipamento, bem instrumentalizado, envia informações, reduz o consumo de energia e o uso de água, e pode aumentar a produtividade em até quatro vezes, lembrando que a produção agrícola é responsável por 80% do consumo de água. O outro caso do C.E.S.A.R. é o uso de IoT na produção diversificada de vergalhões da Gerdau a fim de atender a diferentes mercados. Os parâmetros diferenciados eram medidos em tempo de produção, que tinha de ser parada para coletar os dados e fazer os testes para mudar a linha de produção. "Com o sistema de IoT e análise preditiva, é possível fazer com que a produção prossiga por mais tempo sem precisar ter paradas", acrescentou Peixoto. Elcio Brito da Silva, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP, apresentou os conceitos do Hospital 4.0 que está sendo desenvolvido para o Hospital das Clínicas (HC). Foram montados seis grupos de trabalho para criar ambientes cyber físicos, compostos, cada um, por uma universidade e empresas que queiram ajudar na implementação de uma plataforma colaborativa. "Com isso, o HC está criando o primeiro market place para hospedar aplicações de colaboração, cognição e integração."