Bayer e Monsanto reforçarão aposta em tecnologia digital

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

Rodrigo Santos, da Monsanto, sinaliza diálogo com produtores sobre patente Com a expectativa de que a venda da americana Monsanto para alemã Bayer seja concluída no início de 2018, Rodrigo Santos, presidente da Monsanto Brasil, já vê mudança do foco de investimentos das empresas combinadas. Em evento ontem em São Paulo, o executivo afirmou que haverá uma parcela maior de investimentos aplicados em tecnologia digital. "O investimento nessa área tem crescido. Mas é importante ressaltar que as outras áreas também continuam extremamente relevantes", disse. Com a união dos negócios de Monsanto e Bayer, o montante investido deve aumentar. Em março, o presidente do conselho de administração e CEO global da Monsanto, Hugh Grant, afirmou que os investimentos das empresas combinadas subirão de US$ 1,5 bilhão anuais para US$ 2,5 bilhões. O número considera o aporte anual de US$ 1 bilhão feito pela alemã na área agrícola. Na linha de tecnologia, a Monsanto, por meio de sua subsidiária Climate Corporation, anunciou ontem parcerias com três empresas brasileiras - Checkplant, AEGRO e IBRA Laboratórios - para que serviços sejam oferecidos na plataforma de agricultura digital da americana, a Climate FieldView. Mas para que as empresas passem a operar juntas, ainda é necessário que os principais mercados agrícolas aprovem a transação: Brasil, EUA e União Europeia. Até o momento, cerca de 12 países já aprovaram a negociação. Além da expectativa pela aprovação da transação bilionária pelo órgão antitruste brasileiro, há outro imbróglio no país: o questionamento da patente da soja Intacta - que combina tolerância ao herbicida glifosato e resistência a lagartas. Em novembro, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) entrou na Justiça contra a patente, alegando que os registros da tecnologia não cumpririam os requisitos previstos na Lei de Propriedade Industrial. Um dos argumentos da Aprosoja é que a Intacta combina duas tecnologias, ambas desenvolvidas pela Monsanto e já patenteadas e em domínio público: a RR1, que oferece resistência ao glifosato, e a tecnologia Bacillus thuringiensis (Bt), de resistência a lagartas. Assim, haveria "carência de atividade inventiva" e, portanto, uma nova patente não seria justificada. Questionado sobre o assunto, Santos afirmou que "a Intacta é uma grande inovação e foi a primeira tecnologia de soja no mundo resistente à lagarta". O executivo afirmou, ainda, que na safra 2017/18 "170 mil agricultores escolheram plantar Intacta no país". Na América do Sul, foram 22 milhões de hectares semeados com a semente na safra corrente. Essa não é a primeira vez que a Aprosoja questiona royalties de empresas de sementes. Em 2012, a associação questionou a cobrança feita pela DuPont e pela Monsanto de patente já em domínio público de soja com tecnologia RR1. Na ocasião, a Monsanto entrou em acordo com a Aprosoja. Indagado sobre um possível novo acordo, o presidente da Monsanto Brasil afirmou que a companhia está "sempre disposta a sentar na mesa e conversar".