Brasil bate recorde em produção de ovos e fica em sétimo no ranking mundial

Publicado em 13/11/2017 por Correio Braziliense Online

A produção brasileira de ovos totalizou 39 bilhões de unidades em 2016, um recorde que colocou o Brasil como sétimo maior produtor mundial. Quase tudo é consumido dentro do país e contribui para o aquecimento do mercado interno. Apesar de ter registrado um aumento de quase 40% desde 2010, há potencial para o consumo per capita aumentar muito no país. Atualmente, os brasileiros comem 190 unidades por ano. A média mundial é de 230, mas bate 300 ovos por pessoa em vários países, como China, Dinamarca e México.

Em 2010, o brasileiro consumia 137 ovos por ano. Sete anos depois, o número saltou para 190, crescimento de 38,6%."O consumo per capita do brasileiro é expressivo, mas o setor ainda tem muito espaço para crescer no país", sentencia Ricardo Santin, vice-presidente de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e presidente do Instituto Ovos Brasil, entidade criada em 2007 com o objetivo de disseminar as propriedades nutricionais do ovo e promover o consumo do produto.

Embora as exportações dos ovos brasileiros representem menos de 1% da produção nacional, o produto está em todos os continentes, presente à mesa de consumidores de 22 países. Recentemente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou a abertura da África do Sul para o alimento brasileiro. A medida possibilitará os embarques de ovos in natura e processados para um mercado de 56 milhões de potenciais consumidores.
O Brasil também não importa ovo. O consumo interno do produto conseguiu sustentar as cotações do mercado, mesmo em tempos de crise ou quando o preço de insumos, como o milho, imprescindíveis para a produção, estiveram em alta. Segurança, qualidade e confiabilidade permeiam a cadeia produtiva do ovo brasileiro, garantindo, assim, segurança para os consumidores, em geral. "A exportação fraca significa um mercado interno forte e em crescimento, que está absorvendo a produção do país", afirma Ricardo Santin.

Cabe ao Instituto Ovos Brasil incentivar o consumo de ovos. A ideia é qualificar o produto, baseado no valor nutricional do alimento, já que o mito de que o ovo deve ser consumido com moderação acabou retraindo o mercado interno. "Se uma pessoa comer 12 ovos por dia, o único risco que ela tem é de ganhar uma medalha olímpica. O consumo de ovo diariamente não faz mal algum", explica Santin.

Há alguns anos, o alimento era considerado responsável pela elevação dos níveis de colesterol ruim. Agora, são novos tempos para o ovo, que assumiu status de alimento completo, o segundo melhor atrás apenas do leite materno, tais a quantidade e a qualidade de nutrientes presentes. "O ovo é riquíssimo em proteína de alto valor biológico, sendo responsável por todas as formações de células do corpo, mas não se deve comer somente a clara. A gema também ajuda na absorção de todas as substâncias", diz o nutricionista esportivo Daniel Novais.


Excelência


As exportações brasileiras de ovos férteis e pintos de um dia estão em alta. O material genético avícola nacional é vendido para 25 países e movimentou cerca de US$ 107 milhões em 2016. O rígido controle sanitário nas granjas do país é um dos fatores primordiais para o aumento na demanda do mercado internacional pelo material produzido no Brasil. A excelência sanitária se traduz pela capacidade técnica e operacional do país em executar as recomendações da Organização de Saúde Animal no controle e na erradicação de doenças.

"O fato de o Brasil nunca ter apresentado nenhum caso de febre aviária é decisivo para a procura pelo nosso produto", afirma Santin. O Plano Nacional de Prevenção da Influenza Aviária e de Controle e Prevenção da Doença de Newcastle, oficializado em 2006, foi o responsável pela criação de barreiras de higiene, modernização de laboratórios e treinamento de pessoal. Com isso, compradores internacionais se deparam com instalações e equipamentos de laboratórios aptos a realizar a vigilância de doenças avícolas e a eficiência do serviço veterinário, além de mão de obra qualificada. As granjas passaram a investir, também, em tecnologia, visando garantir o bem-estar animal.


Genética


Com uma das granjas mais modernas do Brasil, a Bonasa, do Distrito Federal, trabalha na produção de ovos férteis e pintos de um dia. A produção mensal é de 19 milhões de unidades, aproximadamente, sendo que 50% são comercializados como ovos férteis para incubação. A outra metade é incubada para venda de pintinhos. Além de abastecer clientes de todo o Brasil, a empresa exporta para países como os Emirados Árabes Unidos, Senegal e Zimbábue. "Para 2018, nossa meta é aumentar as vendas nacionalmente e também incrementar as exportações, atingindo outros mercados em que não atuamos ainda, como a Arábia Saudita", explica o gerente comercial, Thiago Rezende.

O processo de produção da empresa inclui uma estrutura com 28 fazendas, distribuídas em Goiás e no DF, gerando 880 empregos diretos, fora os indiretos. Para maximizar os resultados da produção, a Bonasa investe em genética, monitoria laboratorial, controle de qualidade de matéria-prima e em treinamentos e aperfeiçoamento técnico da equipe. Contribuem, também, para a alta produtividade da empresa do DF a eficiência dos processos, padronização de todos os procedimentos de manejo e o acompanhamento de indicadores de qualidade e produtividade, de acordo com as metas estabelecidas conforme o potencial genético da ave.


"Para 2018, nossa meta é aumentar as vendas nacionalmente e também incrementar as exportações"
Thiago Rezende, gerente comercial da Bonasa

Em números


De 2010 a 2017, consumo por habitante aumentou 38,6% no país, de 137 para 190 ovos anuais

Destino
Mercado interno 99,57%
Exportações 0,43%

Exportações
Das 10,4 mil toneladas exportadas, 84% foram in natura e 16%, industrializadas

Estados exportadores
1º - Minas Gerais 40,09%
2ª - Rio Grande do Sul 33,48%
3º - São Paulo 23,61%

Maiores produtores (em toneladas)*
1º - China 24,4 milhões
2º - Estados Unidos 5,6 milhões
3º - Índia 3,8 milhões
4º - Japão 2,52 milhões
5º - México 2,51 milhões
6º - Rússia  2,2 milhões
7º - Brasil 2,1 milhões

* Dados de 2013

Fontes: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) / Secretaria de Comércio Exterior (Cecex) / Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)