Braskem vê maior demanda para resinas

Publicado em 10/11/2017 por Valor Online

Fernando Musa, presidente: "Há sinais de recuperação econômica generalizados, com exceção da construção civil" Depois de dois anos de retração, a demanda brasileira de resinas vai encerrar 2017 em alta e com desempenho melhor do que o esperado originalmente pela Braskem. A petroquímica, que esperava crescimento de 2% a 3% do mercado doméstico de polipropileno (PP), polietileno (PE) e PVC no início do ano, aposta agora em crescimento de 4%. O resultado é positivo, mas ainda insuficiente para compensar a retração de 7,6% de 2015 e de 1% no ano passado. Segundo o presidente da petroquímica, Fernando Musa, o consumo de PVC permanece em declínio no país, enquanto polietileno e polipropileno mostram recuperação. "Há sinais de recuperação econômica generalizados, com exceção de construção civil", disse. Em PE e PP, a melhora da demanda é atribuída à recuperação da atividade em setores que são consumidores relevantes, como automobilístico e agronegócio. "Em parte é demanda, em parte é recomposição de estoques", afirmou o executivo. No ano, até setembro, a demanda local de resinas cresceu 4%. Somente no trimestre passado, ficou em 1,3 milhão de toneladas, 6% acima do registrado no segundo trimestre: 915 mil toneladas fornecidas pela Braskem. As exportações a partir das operações no Brasil, por sua vez, recuaram 6%, para 396 mil toneladas, diante da maior venda ao mercado doméstico e da menor produção no intervalo, com a parada programada para manutenção de pouco mais de 30 dias em Duque de Caxias (RJ). Conforme Musa, a companhia tem observado aumento de volume em todos os mercados e ampliado sua participação - no país, ficou em 69% no trimestre. De julho a setembro, a receita líquida da Braskem totalizou R$ 12,16 bilhões, alta de 2% na comparação anual. Já o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recuou 9%, a R$ 2,75 bilhões, principalmente por causa da parada no Rio, de paradas não programadas em duas unidades de PP nos Estados Unidos devido à passagem do furacão Harvey e da queda dos spreads (diferença de preço em relação à matéria-prima) de resinas na comparação anual. Diante disso, a petroquímica teve lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 799,4 milhões, com queda de 10% frente o resultado final reportado um ano antes. A geração livre de caixa, por sua vez, foi de R$ 1,07 bilhão, com alta de 6% frente ao segundo trimestre. Quando desconsiderado o caixa recebido pela venda da quantiQ no segundo trimestre, a geração livre de caixa cresceu 90% no terceiro trimestre. No acumulado dos nove meses do ano, foram mais de R$ 2,5 bilhões, o que levou a empresa a ser questionada por analistas sobre a possibilidade de nova distribuição de dividendos. No ano passado, a Braskem pagou dois dividendos - R$ 2 bilhões no total -, tendo 2015 como ano base. Musa admitiu que há um "diálogo" nesse sentido e afirmou que "isso está sendo discutido". Segundo ele, ao mesmo tempo em que a empresa segue com forte geração de caixa, riscos relacionados à Operação Lava-Jato foram gradualmente eliminados com a assinatura do acordo global com autoridades no Brasil, Estados Unidos e Suíça. O que se reflete em maior tranquilidade em relação ao uso do caixa. "Realmente, a geração de caixa tem sido muito forte", comentou Musa, acrescentando que, além da discussão sobre a possibilidade de pagamento de dividendos, a companhia segue na busca de outras oportunidades de investimento. Neste momento, o maior projeto em curso é a construção de nova fábrica de polipropileno nos Estados Unidos. O executivo comentou ainda que os spreads internacionais de petroquímicos foram impulsionados desde o fim do terceiro trimestre, como resultado do impacto do furacão Harvey na produção da indústria americana, mas já começam a mostrar sinais de normalização. Para 2018, a expectativa é de compressão dos spreads na cadeia de eteno e polietileno nas Américas, face à entrada em operação de novos projetos na América do Norte. Mas ainda parece incerto em que momento isso ocorrerá, pois atrasos e postergações têm sido recorrentes - recentemente, a Exxon fez um anúncio nesse sentido.