Cai demanda mundial por jatos executivos

Publicado em 09/10/2017 por Valor Online

A demanda global por novos aviões executivos vai somar 8,3 mil unidades até o ano de 2027, em negócios que vão representar vendas de US$ 249 bilhões, segundo estudo The Global Business Aviation Outlook, divulgado neste domingo pela Honeywell, maior fornecedora de sistemas e equipamentos para a indústria aeronáutica. Foram ouvidas 1,5 mil empresas do setor. É o terceiro ano consecutivo que a Honeywell apura retração nas estimativas de vendas de aeronaves executivas. No ano passado, o setor projetava, para 2026, vendas de 8,6 mil jatos, no valor de US$ 255 bilhões. E em 2015, o cenário apontava encomendas de 9,2 mil aviões para US$ 270 bilhões em negócios. O novo estudo indica que até 2027, deverão ser vendidos entre 620 e 640 jatos por ano, uma queda de 4,6% ante as estimativas apuradas em 2016. No pico dessa indústria, em 2008, as entregas superaram 1,3 mil unidades ao ano. O presidente da Honeywell para Américas, Ben Driggs, disse ao Valor que três fatores afetam a demanda por jatos: incertezas políticas e econômicas em países como Brasil, Rússia e do Oriente Médio; cotações ainda baixas para commodities e os preços em queda das aeronaves usadas. "No caso do Brasil, por exemplo, o ciclo de baixa na indústria de óleo e gás nos últimos anos afetou o ritmo de investimentos das empresas e de empresários na compra de jatos executivos. Esse fator foi ampliado pela situação política e econômica", afirmou o executivo, apontando que esse cenário vale para outros mercados. "A América Latina foi a única que cresceu em termos percentuais na pesquisa deste ano ante a realizada em 2016", disse Driggs. Ano passado, a região detinha 12% da demanda potencial por novos jatos particulares. "Uma menor demanda no Brasil, que é o maior mercado da aviação executiva na América Latina, acabou sendo mais que compensada por um ambiente de compras mais aquecido no México", disse Driggs. Mas ele também lembrou que a região já teve uma fatia bem maior do mercado, de 22%, em 2014. Segundo o executivo, a recuperação da economia brasileira precisa se confirmar com a retomada dos investimentos das empresas. "Se houver também melhora nos preços do petróleo e de outras commodities, que têm peso no PIB brasileiro, as vendas de jatos executivos no país vão ganhar força". No mundo, há sinais de que a retomada das vendas ocorra a partir de 2018. "O estoque de jatos usados, que já esteve perto de 20%, está hoje em 10,3%. Já é um patamar saudável. Mas ainda é necessário que os preços nesse segmento subam para que os clientes sejam estimulados a optarem por unidades novas", afirmou Driggs. Ele observou que há uma demanda crescente por jatos de grande porte na Ásia e no Oriente Médio - modelos com mais de 19 metros de comprimento e que custam pelo menos US$ 19 milhões. Grandes aeronaves abocanham 85% da demanda futura medida em dólares. "Isso mostra um apetite maior por modelos como o Legacy da Embraer", disse Driggs.