Chile amplia compras do Brasil e se torna quinto principal importador

Publicado em 09/10/2017 por DCI

09/10/2017 - 05h00

Chile amplia compras do Brasil e se torna quinto principal importador

O país sul-americano superou a Alemanha e o Japão entre os maiores parceiros comerciais. Em 2017, foram registrados aumentos nas aquisições de produtos básicos e de industrializados

São Paulo - As importações chilenas de produtos brasileiros somaram US$ 3,808 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, uma alta de 26,1% na comparação com igual período de 2016. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

Com isso, o país sul-americano subiu para a quinta colocação entre os principais compradores de produtos brasileiros, passando o Japão e a Alemanha, que ocupavam posições superiores em setembro do ano passado.

O aumento nas importações chilenas foi registrado para produtos básicos (29,7%) e manufaturados (28,4%). Entre as commodities, o destaque ficou com o petróleo em bruto, item mais comprado no período, que gerou US$ 1,228 bilhão para o Brasil, um avanço de 42,1% no confronto com 2016.

Já a tabela de industrializados foi liderada pelos automóveis. As aquisições dos dois tipos de carros mais importados tiveram avanços expressivos, de 95,9% e 354,4%. Somados, ambos renderam US$ 188,4 milhões.

Para a alta do petróleo, pesou o aumento da cotação internacional do óleo durante este ano, enquanto que o crescimento dos automóveis está mais ligado à conjuntura econômica atual, afirma Carlos Alberto Cinquetti, professor de economia internacional da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

"A desvalorização do real [em relação ao começo desta década] e a fraqueza da demanda interna no Brasil estimularam os vendedores de manufaturados a buscar outros mercados", diz ele.

Melhora nas negociações

O quadro geral para realizar trocas comerciais com o Brasil "melhorou muito" nos últimos anos, mas os empresários chilenos ainda enfrentam dificuldades com temas regulatórios, como aspectos sanitários e fitossanitários. É o que afirmou ao DCI Alejandro Buvinic, diretor do ProChile, um braço do Ministério de Relações Exteriores do país sul-americano.

Segundo ele, houve um aumento nas negociações com brasileiros durante este ano. "É muito importante a situação [econômica] do Brasil, que é um dos nossos principais parceiros", acrescenta.

O entrevistado também se mostra favorável aos grandes acordos nacionais estudados pelos dois países. Sobre o tratado entre Mercosul e União Europeia, ele diz que os chilenos não temem a concorrência do velho continente. "Nossos produtos são de alta qualidade e têm condições de encarar a competição." A respeito do Acordo Transpacífico (TPP), Buvinic afirma que as negociações continuam mesmo com a retirada dos Estados Unidos. "É um trabalho bastante importante, que continua viável depois da mudança de posicionamento dos americanos."

Ele também destaca o Acordo de Complementação Econômica (ACE-35), celebrado entre o Chile e o Mercosul, que estabelece uma área de livre comércio entre os membros do bloco e os chilenos. "[Com o acordo] o Brasil se tornou o nosso principal importador de salmão, noz e vinho."

Compras brasileiras

As aquisições de produtos chilenos cresceram 16,3%, na comparação com os nove meses do ano passado, e chegaram US$ 2,569 bilhões.

Os produtos mais comprados do Chile, até setembro, foram catodos de cobre (US$ 662 milhões), sulfetos de minério de cobre (US$ 403 milhões) e salmão (US$ 379 milhões).

Renato Ghelfi

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