Cidade das Artes recebe evento de celebração do Ano Novo Chinês

Publicado em 11/02/2018 por O Globo

Performances apresentam tradições de diferentes etnias chinesa - Divulgação / Fotos

RIO - Se, aos olhos do mundo, o carnaval carioca é reconhecido como a celebração brasileira mais famosa e admirada, em se tratando da China, este posto é ocupado pelas festividades do Ano Novo Chinês. Também conhecido como Festival da Primavera, trata-se da maior e mais animada festa tradicional dos chineses, repleta de rituais religiosos, simbolismos, danças e comida típica. Embora nações ocidentais, como o Brasil, sigam um calendário distinto - na China, é o ano 4716 que está começando nesta sexta-feira -, o interesse por esta celebração supera qualquer diferença cultural. No ano passado, a data foi comemorada em grande estilo no Rio. Este ano, não será diferente. De quinta a sábado que vem e no dia 25, a Cidade das Artes receberá a segunda edição da Semana da Cultura Chinesa no Rio, dentro da qual será lembrado o Ano Novo Chinês.

O evento, cuja primeira edição brasileira aconteceu na Lapa, promete levar o público a uma viagem exuberante pelos costumes do país por meio de atrações pagas e gratuitas. A cultura milenar chinesa será demonstrada, principalmente, em performances de dança e acrobacia - algumas jamais vistas aqui - que ocorrerão ao longo de todo o festival, com intervalos de uma hora.

O destaque fica a cargo de 40 artistas de Guiyang, na província de Guizhou, considerada uma das mais importantes do país asiático culturalmente. Eles participarão dos espetáculos programados, conhecidos pelo esmero no figurinos, na trilha sonora e na iluminação.

Entre as apresentações destaca-se a dança artística com tambores de madeiras, considerada um patrimônio cultural da China. Já a performance "Festival de luzes" é um símbolo da etnia yi, cujas tradições estão entre as mais importantes e populares do país. O espetáculo é reconhecido na China e mundo afora como o carnaval oriental.

O festival também contará com a participação de brasileiros que têm forte ligação com o país. É o caso do mestre Serpio Oliveira, presidente da Associação Kung Fu Garra de Águia Gonçalense, instituição que forma professores da arte marcial chinesa. Ao lado de praticantes, o mestre apresentará as danças do dragão e do leão.

- Para os países orientais, essas apresentações são de grande importância em datas festivas. As danças do leão e do dragão representam boas entradas de ano-novo, prosperidade, sucesso, felicidade e ajuda para espantar espíritos malignos. O dragão é a representação da união dos povos e da força - explica Oliveira, praticante de kung fu há 40 anos.

Vindos de Guiyang, cerca de 40 artistas chineses se apresentarão em espetáculos de dança e acrobacia - Divulgação

Durante os quatro dias de festival, uma série de atividades estará disponível para quem quiser conhecer mais da cultura chinesa. Nos jardins da Cidade das Artes serão montadas 34 barracas com o que há de mais característico em artesanato e moda no país. Para agradar ao paladar, além de licores chineses, haverá quitutes como jiaozi (uma espécie de ravióli chinês), conhecido no Brasil como guioza; nian'gao (pastel feito com arroz glutinoso); e tangyuan, uma bolinha de farinha de arroz glutinoso, considerada um símbolo de felicidade pelo povo chinês. Serão oferecidas também sessões de acupuntura, ramo da tradicional medicina do país. Além disso, desafios de artes marciais, assim como pinturas e a caligrafia chinesas, poderão ser explorados.

Os chineses relacionam cada novo ano a um dos 12 animais que teriam atendido, de acordo com a lenda, ao chamado de Buda para uma reunião. Na ocasião, apresentaram-se apenas o rato, o búfalo (ou boi), o tigre, o coelho, o dragão, a cobra, o cavalo, a cabra, o macaco, o galo, o cachorro e o porco. Em agradecimento, Buda os teria transformado nos signos da astrologia chinesa. De acordo com essa mitologia, 2018 é o ano do cachorro (elemento terra).

Organizado pelo consulado-geral da China no Rio e por associações culturais chinesas do estado, com apoio da prefeitura, o festival na Cidade das Artes visa a trazer ao público brasileiro a tradição do Ano Novo Chinês, celebrada em todas as nações que seguem o calendário do país. Ações como esta têm a intenção de promover um intercâmbio cultural entre as duas nações, afirma o cônsul-geral da China no Rio, Li Yang.

- Acredito que este evento vá aumentar o interesse dos brasileiros pela cultura chinesa, assim como o conhecimento mútuo entre os dois povos. O ano-novo é hoje a celebração chinesa mais importante ao redor do mundo, e achamos importante trazê-la aos brasileiros - diz Yang.

O cônsul diz que o governo brasileiro também poderia aumentar a oferta de eventos realizados na China.

Li Yang, cônsul-geral da China no Rio - Brenno Carvalho / Agência O Globo

- O povo chinês tem muito interesse pela cultura brasileira, pois ela é muito rica e brilhante. Mas a força de divulgação da cultura daqui não é suficiente em nosso país, muita gente ainda a desconhece. Temos que incentivar esse intercâmbio cultural também em nível governamental - argumenta.

A decisão de levar o Ano Novo Chinês para a Barra foi tomada devido ao amplo espaço e à segurança proporcionada pela Cidade das Artes, diz ele.

A presença chinesa na cidade durante a semana vai além do território da Barra. Hoje, os mistérios da China milenar serão contados na Marquês de Sapucaí, durante o desfile da Império Serrano. Com o samba-enredo "O império do samba na rota da China", do carnavalesco Fábio Ricardo, a escola, originária do Morro da Serrinha, contará a história da rota da seda, e mostrará a chegada de chineses ao Rio. Já na quinta-feira, das 20h às 22h, o Cristo Redentor deverá receber uma iluminação especial na cor vermelha, em homenagem ao Ano Novo Chinês.

A cultura oriental continuará marcando presença na região no próximo mês. Entre os dias 9 e 11 de março, o Riocentro se transformará em uma amostra da Terra do Sol Nascente, com as atrações da primeira edição do Japan Festival Rio Matsuri. O Pavilhão 4 receberá cerca de cem estandes, que reunirão gastronomia típica, exposições, workshops e atrações relacionadas à cultura pop japonesa, marcada por animes e games. Um concurso de cosplay e o Miss Nikkey, que escolherá a japonesa (ou descendente de japoneses) mais graciosa, ajudarão a movimentar o festival.

Apresentações serão na Grande Sala, na Cidade das Artes - Divulgação / Foto

Para fazer o público entrar no clima, o pavilhão será decorado com enfeites tipicamente japoneses, como tanabatas e chouchins. Haverá ainda um tori - tradicional portal japonês - e tanzakus, papéis coloridos nos quais são escritos desejos e mensagens aos deuses fixados em bambus.

Com umas das culinárias mais admiradas ao redor do mundo, os japoneses não poderiam deixar de divulgar suas iguarias típicas. Para representar os especialistas no assunto, o chef Shin Koike, responsável pelo restaurante Roman Izakaya, no Vogue Square, e embaixador da Difusão da Culinária Japonesa, título dado pelo Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca do Japão, ministrará um workshop.

Completando a programação haverá shows musicais, danças folclóricas, taikô, artes marciais, cerimônia do chá, exposições de fotografias, bonsai, ikebana e artes plásticas e workshops de mangá, origami e kirigami. Para os pequenos, serão oferecidas atividades tradicionais gratuitamente.

O festival, que já teve edições em São Paulo e no Paraná, entrou para o calendário de eventos de comemoração dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil. O país é a maior comunidade japonesa fora do Japão. Segundo o IBGE, apenas no Rio de Janeiro, são cerca de 60 mil. A expectativa é que mais de 50 mil pessoas passem pelo Riocentro nos três dias de evento.

- O festival acontece há 20 anos fora do Rio. A proposta é que ele se torne tradicional aqui também - diz Milena Palumbo, diretora da GL events, empresa gestora do Riocentro.

Os ingressos do 1º lote custam R$ 20, e podem ser adquiridos no site ingresse.com.

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