CNI eleva previsão de crescimento para a economia para 0,7% em 2017

Publicado em 10/10/2017 por O Globo

BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para cima a projeção para o crescimento da economia em 2017 e apontou melhora no desempenho do setor industrial. De acordo com o boletim "Informe Conjuntural", divulgado pela entidade nesta terça-feira, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 0,3% para 0,7%. A indústria deve crescer 0,8%, acima de 0,5% estimado em junho.

No documento, a CNI destaca que a recessão ficou para trás e que há motivos para acreditar que o pais iniciou um novo ciclo, com boas perspectivas para a inflação - que deve fechar o ano em 3,1% - abaixo da projeção anterior, de 3,6%. A taxa de juros básica da economia (Selic) também deverá encerrar 2017 em 7%. A previsão anterior era de 8,50%.

Na avaliação da CNI, o resultado da agricultura e a reação do consumo com o estimulo da liberação dos recursos do FGTS (contas inativas) foram fundamentais para a saída da crise. Também contribuíram um conjunto de indicadores favoráveis, como a queda da inflação, dos juros e do desemprego. Segundo a entidade, famílias empresas reduziram seus endividamentos e a capacidade ociosa do parque industrial também vai permitir aumento da produção sem pressionar a inflação.

A CNI menciona, no entanto, que alguns setores industriais ainda não reagiram, como é o caso das indústrias da construção e de serviços de utilidade pública (geração e transmissão de energia elétrica). O setor da construção completou seis trimestres consecutivos de queda, segundo o boletim.

Apesar da melhoria dos indicadores, a boletim alerta que ainda pairam dúvidas sobre o crescimento da economia em 2018 porque os investimentos ainda não reagiram, segundo o informe. Apesar das concessões do governo, o setor de infraestrutura ainda não deslanchou. Para 2017, a CNI ampliou a queda no indicador de formação de capital fixo, que passou de 2,7% para 4%.

"A retomada do investimento, em especial na infraestrutura, é importante não apenas para a geração de novos postos de trabalho, como para o aumento da eficiência e produtividade da economia", diz a CNI no documento, que cita também avanços com a reforma trabalhista.

Outro ponto citado pela CNI e que é fundamental para a consolidação do crescimento será o equilíbrio das contas públicas. A aprovação do teto para o gasto público não resolve o problema fiscal sem outras reformas, como a da Previdência.

" O processo de ajuste fiscal caminha em ritmo lento e a revisão recente das metas fiscais para este ano e o próximo é um sinal de alerta. O controle da dívida pública, crucial para a estabilidade duradoura, exige a reversão desses déficits", diz o boletim da CNI.


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