Demanda mais generalizada de insumos traz alento à indústria

Publicado em 14/11/2017 por DCI

14/11/2017 - 05h00

Demanda mais generalizada de insumos traz alento à indústria

matéria-prima. Produção de materiais utilizados na fabricação de diversos bens de consumo começa a reagir neste final de ano, trazendo esperança de retomada mais firme para 2018

Braskem enxerga crescimento na demanda por insumos básicos de diversos setores,  indicando um reaquecimento da atividade econômica
Braskem enxerga crescimento na demanda por insumos básicos de diversos setores, indicando um reaquecimento da atividade econômica
Foto: Divulgação

São Paulo - Após um longo período de retração, o aumento da demanda por uma série de insumos usados na atividade industrial melhora as perspectivas quanto à retomada mais generalizada da produção - que não esteja concentrada apenas em automóveis e agronegócio.

Um dos principais insumos empregados nas diversas cadeias de manufatura é a resina termoplástica, originada do polipropileno (PP) e polietileno (PE). "O volume tem crescido no mercado brasileiro, o que é um bom sinal, por ser indicador da atividade econômica", diz o presidente da petroquímica Braskem, Fernando Musa. "Isso traz expectativa de que teremos uma melhora da economia no ano que vem", completa.

Segundo os resultados do terceiro trimestre da Braskem, a demanda por resinas, seja PP, PE ou PVC (utilizado principalmente no setor da construção civil), cresceu 6% em relação ao segundo trimestre deste ano, para 1,3 milhão de toneladas. Com uma participação de mercado de 69%, as vendas apenas da Braskem saltaram 10%, informou a companhia. No ano, a demanda por resinas tem alta de 4% sobre igual intervalo do ano passado. Para atender a demanda interna, a empresa acabou reduzindo, inclusive, suas exportações, em 7%, de PE, especialmente para regiões fora da América Sul.

"No caso do PVC, ainda há um declínio, diferentemente de PE e PP. Claramente, temos observado sinais de recuperação econômica, bastante generalizados, com exceção da construção civil", afirma Musa.

Segundo ele, as áreas de agronegócio e automobilística seguem com "excelentes resultados". Outro segmento que se destaca, na avaliação do presidente da Braskem, é o de bens de consumo. "Em parte é demanda na ponta, mas também há movimentos pontuais de recomposição de estoques na cadeia", acrescenta.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), os índices de volumes de produtos químicos para uso industrial cresceram no terceiro trimestre, com os melhores resultados na comparação com os demais período deste ano. O índice de produção cresceu 5,44%, o de vendas internas avançou 12,63%, enquanto a demanda interna - medida pelo consumo aparente - teve alta de 8,7% de julho a setembro ante abril a junho. "Tradicionalmente, na indústria química, o terceiro trimestre é o que concentra os maiores volumes de produção, de vendas e demanda do ano, o que está se confirmando pelos os resultados apresentados. Nesta época, se produz o maior volume para as encomendas de final de ano e início do ano seguinte", escreve, em relatório conjuntural, a Abiquim.

No Polo Industrial de Manaus, a reação já é sentida com o faturamento das empresas registrando alta de 6,9% em reais e de 18,3% em dólares, de janeiro a agosto, sobre igual intervalo de 2016. Este crescimento é impulsionado por diversas áreas. Entre elas, a cadeia de atividades termoplásticas apresenta incremento é de 7,08% em reais e de 18,7% em dólares. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus, Celso Zilves, o incremento deve-se principalmente pelos segmentos de embalagem e injeção, como de ar condicionados split.

Já os segmentos de eletroeletrônicos têm altas de 17,6% (em reais) e de 30,6% (em dólares), enquanto bens de informática avança 18,5% (em reais) e 30,8% (em dólares).

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e eletrônica (Abinee), 56% das empresas do setor indicaram alta das vendas e das encomendas, no mais alto patamar desde fevereiro de 2014. Apenas a indústria eletrônica cresceu 20,2% entre janeiro e setembro. "Os excelente resultados da área eletrônica demonstram que, felizmente, o mercado está ressurgindo", afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

Embalagens

Junto com as resinas, as vendas de papelão ondulado utilizados em embalagens, como caixas, acessórios e chapas, acumulam alta de 4,7%, para 2,917 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira de Papel Ondulado (ABPO). Apenas em outubro, a expedição aumentou 8,4% na comparação com mesmo mês do ano passado, na segunda alta, consecutiva, neste patamar. A associação afirma que "taxas nesta magnitude" não se verificavam desde o primeiro semestre de 2013. "A trajetória da expedição ao longo deste ano, especialmente no período maio/julho, quando o crescimento ajustado sazonalmente alcançou 19,79% em valores anualizados, apenas ratifica o vigor da recuperação do segmento", diz a ABPO.

A Klabin, produtora de papéis para embalagens e caixa de papelão ondulado, apresenta alta de 9% entre janeiro e setembro no total expedido. Segundo a empresa, a melhora é verificada não só em alimentos mas também em algumas categorias industriais que até então não haviam dado sinais de recuperação. "Já estamos vendo uma recuperação no mercado de caixas", destaca o presidente da Klabin, Cristiano Teixeira.

Fundição

Apesar do incremento da demanda por insumos como ferro, aço e alumínio este ano ser puxada por automóveis, outras áreas também estão crescendo, como na linha branca. "Há um horizonte de recomposição de produtos que deixaram de ser adquiridos nos últimos anos, principalmente entre a classe média", avalia o diretor-executivo da Associação Brasileira de Fundição (Abifa), Roberto João de Deus. A expectativa da associação é a de que o setor volte a crescer este ano, em volume, algo como 7% e 8%, e até 10% em 2018, após três anos em queda.

A fundição de peças, com alumínio, se dá na produção de engrenagens para geladeiras, máquinas de lavar e fogão. Apenas a fundição de alumínio, segundo a Abifa, cresceu 72% entre janeiro e agosto, ante uma média geral do setor de 5,9%.

No aço, a demanda segue puxada por automóveis, mas também por linha branca.

Rodrigo Petry

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