Dieese-CE alerta para crise de demanda nos alimentos

Publicado em 09/10/2017 por Jornal O Estado do Ceará

A retração do consumo das famílias, principalmente no setor de alimentação, vem levantando preocupações em Fortaleza. De acordo com o economista Gilvan Farias, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-CE), após a terceira retração seguida do valor da cesta básica, observado em setembro - que chegou a 4,85% de queda - o consumo menor das famílias tem impactado e contribuído para a redução dos preços, que, no mês passado, atingiu 11 dos 12 itens pesquisados. "Essa (nova) variação negativa é uma situação até contraditória, porque a gente sente os preços um pouco mais pesados aqui em Fortaleza, porém os valores, realmente, estão caindo. Porém, estamos vendo que o consumo das famílias está sendo bem menor, ou seja, estamos tendo uma crise de demanda e o reflexo disso está sendo direto nos preços da cesta básica", ressalta Gilvan.

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Ele aponta que, nas últimas pesquisas, já vinha sendo detectado esse peso da queda de consumo das famílias, o que não é favorável ao crescimento econômico. "Ou seja: como é que vai se consumir cesta básica se não tem dinheiro para comprá-la? Então, o consumo das famílias está bem menor nesse período", constata o especialista. "E, quando afeta diretamente na alimentação, tenho certeza que os índices de preços vão reduzindo, ocorrendo uma queda, como ocorreu em setembro, que foi bem expressiva, de quase 5% e em todos os produtos (da cesta)", asseverou.

"O trabalhador, nesse período de crise - mais política do que econômica -, está sofrendo drasticamente, porque o seu consumo está sendo diminuído pela falta de emprego", lamenta Gilvan. Ele acrescenta que não só a questão de alimentação, mas custos com saúde, vestimenta, lazer, enfim - que o consumidor está tendo que abdicar para poder consumir. "Temos um índice de preços, medido pelo INPC, de 1,73%, uma queda, que podemos dizer, praticamente forçada, pois o mercado não está consumindo, ou seja, não está havendo demanda suficiente para suprir as necessidades do mercado", declarou o economista.

Perspectivas
Mesmo com a proximidade do fim de ano, o economista não espera uma reversão desse quadro de consumo retraído. "Na realidade, em todo segundo semestre, a economia se ativa mais, devido ao período de finais de ano, entrada de 13º salário entre outros. A expectativa é que, com relação aos índices de preços, retração da inflação - desde o começo do ano -, essas quedas seguidas no preço da cesta básica tendam a se estabilizar, porém, na minha perspectiva, como especialista, é de que essa crise de demanda ainda vai se perdurar por mais alguns meses", prevê Gilvan Farias. Na visão do economista, o pico de final de ano não vai ser suficiente para suprir essa falta de consumo das famílias.

Um outro agravante mencionado pelo representantes do Dieese-CE está relacionado à contratação de funcionários temporários e a nova legislação, que passa por um processo de alteração. "Podem haver novos postos de empregos temporários, no comércio e serviços, mas, como estamos em um período de instabilidade - e, agora em novembro, vai ser aplicada a nova legislação trabalhista, que permite algumas flexibilizações de trabalho, prejudicando, diretamente, o trabalhador -, creio que isso não vai ser a solução para essa crise de demanda e do consumo das famílias, mas apenas um pico de final de ano". "Até porque o Ceará possui a segunda menor remuneração do emprego formal do País, segundo a Rais. Temos que melhorar muito, ainda, para dar um padrão de vida melhor para o trabalhador cearense", finalizou o economista do Dieese-CE.

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