Distribuidoras de GLP investem em tecnologia para aprimorar a atuação

Publicado em 04/12/2017 por DCI

04/12/2017 - 05h00

Distribuidoras de GLP investem em tecnologia para aprimorar a atuação

Para não perder espaço nos lares e conseguir alcançar novos consumidores, as empresas que vendem e entregam gás de cozinha estão sofisticando o relacionamento através de apps móveis

Carrossel de oportunidades: entrega de gás de cozinha entrou na era on-line, acirrando disputa no setor
Carrossel de oportunidades: entrega de gás de cozinha entrou na era on-line, acirrando disputa no setor
Foto: Divulgação

São Paulo - Em um nicho de concorrência acirrada, as empresas de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), o tradicional gás de cozinha, estão investindo em métodos tecnológicos para se aproximar dos consumidores. Com os avanços em inovação, os pedidos por meio de ligações telefônicas devem arrefecer.

Devido a percepção de que as pessoas estão cada vez mais hiperconectadas, a Ultragaz investiu R$ 3 milhões nos últimos dois anos para o desenvolvimento de seu aplicativo móvel Ultragaz Connect, onde o cliente consegue realizar as etapas da compra do botijão de 13 quilos (kg) e acompanhar o processo de entrega na palma da mão. "O telefone está sendo menos usado para ligações. O nosso objetivo é acompanhar a revolução tecnológica, investindo em canais digitais para o varejo", conjectura o gerente de desenvolvimento da Ultragaz, Carlos Martins.

A aposta da Ultragaz em novas tecnologias não está ligada somente ao consumidor final (o aplicativo já está no celular de 200 mil pessoas), mas também à rede de revendedores. Quando o cliente solicita o botijão, tanto pelo smartphone quanto pelo site, o pedido é redirecionado para o veículo mais próximo do local de entrega - sistema semelhante ao utilizado pelo aplicativo Uber.

Dentre os planos para o futuro, a Ultrapar, detentora da Ultragaz, pretende concretizar a aquisição da concorrente Liquigás, administrada pela Petrobrás. A negociação, avaliada em R$ 2,8 bilhões, está barrada momentaneamente pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por ser uma ameaça aos preceitos de concorrência no setor.

No caminho para o lar

Inovação para vencer as rivais também está no cerne da Supergasbras, mas a percepção é um pouco distinta da concorrente. "Eu acredito que 85% a 90% dos nossos clientes ainda compram gás pelo telefone. O problema é que normalmente o gás acaba quando eles estão cozinhando, e o consumidor precisa dessa reposição rapidamente. Por isso, desenvolvemos o App Supergasbras, onde o cliente consegue pedir o produto em três cliques", explica o diretor de negócios da Supergasbras, Júlio Cardoso.

Com objetivo de faturar R$ 5 bilhões em 2017, crescimento de 10% com relação ao ano anterior, a empresa investiu mais de R$ 10 milhões em novas tecnologias nos últimos anos. Além do aplicativo móvel - disponível para os sistemas Android e iOs -, que está ativo em oito metropóles das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, a rede criou o Superbotão para facilitar a solicitação de gás a domicílio em cidades do interior de São Paulo.

"O Superbotão é uma inovação nossa. Nós implantamos o piloto desse projeto há dois anos, em uma cidade pequena do Rio, e agora estamos partindo para uma inovação a nível nacional. Ele funciona como se fosse um imã de geladeira, em que o cliente aperta e nós recebemos um chamado para a entrega do botijão. Ele é gratuito; a pessoa só precisa conectá-lo ao Wi-Fi da casa", comenta.

Quando o cliente aperta o Superbotão, explica Cardoso, uma luz azul é acesa no dispositivo e o revendedor autorizado mais próximo da Supergasbras é acionado. Após isso, a iluminação torna-se verde, o que indica que o pedido foi confirmado e está em processo de entrega. Outras ações da empresa envolvem a criação do Gasímetro, que avisa o cliente por meio de um sensor quando o gás de cozinha está chegando ao fim, e o investimento em telemetria, para a medição de gás a granel.

Exemplo a ser copiado

Seguindo essa linha, a Copagaz, quinta maior distribuidora de gás de cozinha no País, já investiu R$ 41 milhões entre o final de 2015 e 2017 em novas plataformas e sistemas de TI para diversas áreas da companhia. "Para criarmos uma plataforma que permitisse que a transformação digital chegasse aos consumidores finais e empresariais, nós tínhamos que começar esse upgrade tecnológico internamente, automatizando vários processos que antes eram manuais", afirma o gerente de TI da Copagaz ao DCI, Reinaldo Melero.

Com expectativa de elevar o faturamento a R$ 1,98 bilhão em 2017, 10% a mais que o visto no ano anterior, a Copagaz está remodelando seu site e investindo em um aplicativo móvel, ainda sem nome oficial. "Estamos finalizando a parte piloto do projeto, colocando o app nas lojas da Apple e do Google para fazer um teste controlado com alguns clientes e algumas revendedoras, para validar nosso modelo. A partir do ano que vem a ideia é expandir a implementação dessa solução", diz Melero.

A Liquigás informou que também está investindo em inovação para o portal da bandeira e em um app móvel. Fora isso, o reajuste, praticado pela Petrobrás, no preço do botijão de 13 kg saltou 54% entre janeiro e novembro deste ano.

Felipe Mendes

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