Ecovila promove cursos e aluga seus chalés

Publicado em 10/01/2018 por O Globo

Bruno Dunshee teve a ideia de criar a ecovila após viajar para Bali - BARBARA LOPES / Agência O Globo

RIO - Há quase três décadas, um terreno verde no Recreio resiste como abrigo de um estilo de vida ecológico e sustentável. Localizada na Estrada do Pontal, a ecovila Quintal do Mar hospeda pessoas que desejam intensificar a integração com a natureza e promove oficinas e cursos ligados ao tema ambiental. Como num formato de comunidade alternativa, o pagamento pelas estadas vai além do dinheiro, podendo ser feito através de trabalho na horta, ou troca por produtos e biotecnologias. O importante, claro, é estar alinhado à proposta.

O projeto foi criado pelo surfista e designer Bruno Dunshee, de 54 anos. Formado em Comunicação e designer de produtos, sua vida mudou após uma temporada que passou em Bali, no início da década de 1990. Na ilha da Indonésia ele foi apresentado a iniciativas de permacultura e a ecovilas. Ao retornar para o Brasil, resolveu ter algo próprio.

- Era tudo muito novo. Após as viagens ao exterior (ele passou ainda por Austrália e Havaí) eu rodei também o interior do país, e conheci o Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec), em Goiás, e a ecovila Clareano, no interior de São Paulo, que foi uma referência para mim - explica Dunshee, que começou o Quintal do Mar com apenas uma casa, onde vivia com sua mulher. - Não tinha nada aqui, começamos plantando tudo. Há cerca de 15 anos, depois que me separei, comecei a alugar as outras casas que ergui no terreno.

Hoje, o Quintal do Mar oferece três casas e uma tiny house, um pequeno chalé. No espaço, Dunshee realiza captação de água de chuva e compostagem do lixo orgânico, faz diversos usos de bioconstrução e planta diversas espécies, incluindo frutíferas. Além da integração com a natureza, o propósito da ecovila é proporcionar um estilo de vida diferenciado, tanto para os hóspedes, que costumam viver no local por pequenas temporadas, quanto para visitantes.

Interior do Quintal do Mar - BARBARA LOPES / Agência O Globo

Com certa frequência, Dunshee promove oficinas e cursos com temas ambientais. Um evento recente, por exemplo, foi um workshop de cinco dias com um grupo que constrói pimâmides de bambu de dois andares, que simulam árvores. O objetivo é subir a estrutura, numa prática que simula o pilates e trabalha posturas. O surfista também vende produtos artesanais fabricados por ele, com matéria-prima local, claro, como as mochilas ecológicas.

- Aqui é um lugar em que a pessoa não precisa morar, até por ser perto da cidade. Tem gente que passa o dia e vai embora depois - explica Dunshee, que oferece diversos tipos de pagamentos pelas estadas. - Há quem trabalhe na horta ou ajude nas obras, por exemplo. Quando chegam, eu explico a proposta. Recebemos um público diferenciado, mas sempre pessoas ligadas à natureza.

Mochila ecológica criada por Dunshee - BARBARA LOPES / Agência O Globo

Dunshee diz que não conhece nenhuma iniciativa semelhante na cidade. A mais próxima que recorda, diz, fica em Magé. O aplicativo Ecovilas Brasil corrobora a impressão. Além do Quintal do Mar, há outros dois projetos do Rio inscritos no mapa do App, porém são de empresas de energia renovável. O aplicativo pretende reunir informações e mapear ecovilas no país, aproximando iniciativas e possíveis hóspedes. Para isso, lançou um crowdfunding no fim de 2017: https://www.catarse.me/aplicativoecovilas.

- Costumo pesquisar na internet, mas nunca encontrei projetos parecidos com o meu. Por isso me inscrevi no aplicativo - explica Dunshee, que se preocupa com a especulação imobiliária no seu entorno. - A especulação deita e rola. Já sinto as consequências. A própria queda do calçadão da Praia da Macumba é um exemplo.

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