Emater investe para ampliar a presença de abelhas na agricultura

Publicado em 12/03/2018 por Jornal do Comércio - RS

Thiago Copetti, de Não-Me-Toque
Entre os muitos espaços da Emater na Expodireto um dos mais movimentados foi um pequeno reduto entre árvores bem ao fundo do parque. É lá que a entidade divulgou os benefícios da união da agricultura com a apicultura. Ou melhor, com a meliponicultura: trabalho com meliponíneos (abelhas sem ferrão). De acordo com o engenheiro Agrônomo da Emater-RS/Ascar, Antônio Altíssimo, especializado no segmento, como as abelhas sem ferrão são menores, tendem a fazer uma melhor polinização de plantas, hortaliças e frutas. Os benefícios em produtividade e qualidade se dão em todas as culturas, garante o técnico.
"Um bom exemplo é o trabalho que fizemos voltado ao morango. Alguns produtores estavam com problemas com frutos disformes, feios, e acreditavam que era ação de fungos. Ao inserirmos colmeias na plantação, os frutos começaram a vir perfeitos", comemora Altíssimo, destacando a espécie Jataí entre as opções de inseto.
O benefício, diz o engenheiro agrônomo, se deve ao fato de que o morango precisa ser bem polinizado para que fique uniforme, e com mais abelhas entre as frutas, o problema foi resolvido. Em média, diz Altíssimo, se recomenda uma colmeia a cada 200 metros quadrados de cultivo. Unir abelhas e agricultura tem enormes benefícios e ganhos e baixo custo. O engenheiro da Emater avalia que o custo pode ser bastante reduzido, já que a colmeia pode ser feita artesanalmente ou comprada por, no máximo, R$ 200,00. "Por isso intensificamos esse trabalho de divulgação da meliponicultura em feiras e eventos há cerca de dois anos", descreve Altíssimo.
A união desses insetos e a agricultura vem sendo estimulada por diferentes empresas com forma de explorar até o benefício das sementes. É o que faz a Bayer, por exemplo, no cultivo de melancias Pingo Doce, uma variedade com alto teor de açúcar e sem sementes - e que justamente por ter menos semente, depende ainda mais da polinização para ter alto rendimento.
Basicamente a polinização aumenta o número, a qualidade, o tamanho, o formato e o peso de frutos e sementes. Além disso, encurta ciclos e uniformiza o amadurecimento das hortas, pomares e lavouras, diminuindo perdas na colheita. Na lista de variedades a Emater lista ao menos 24 espécies nativas do Estado, e ainda pouco utilizadas como estratégia de produção. Entre elas, manduri, jataí, mandaçaia, mandaguari e mirim. Ao todo seriam mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão no Brasil. O tema vem ganhando cada vez mais importância no setor e pesquisas no meio científico e agronômico em casos recentes de sumiço e mortandade de abelhas em diferentes anos e regiões do Estado. O fato estaria ligado ao impacto do uso de agrotóxicos em excesso nas lavouras, segundo alguns resultados de análises.